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02/01/2012 - 23:20

Pato não voa

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Pessoal do Milan (super) empenhado no alongamento na praia, em Dubai, onde o time vai enfrentar o PSG num amistoso.

A foto (STR/AFP/Getty Images) é melhor que o post, na verdade.

Eu queria chamar a atenção para o Alexandre Pato.

Este blog é fã de Pato. Ou sempre foi. Ainda lembro da tarde em que fui vê-lo no Parque Antarctica jogar pela primeira vez em 2006. De folga, eu estava a meia hora da rua Turiassu e tinha, no estômago, um almoço de domingo pesado. Na alma, muita preguiça e, em casa, o conforto do pay-per-view. Forças superiores e uma curiosidade intensa com o garoto me mandaram assistir aquele Palmeiras x Internacional. Foram 45 minutos sublimes e um gol no seu segundo toque na bola como profissional, antes do jogo completar 1 minuto. Eu vi acontecer e até hoje ainda arrepio de lembrar. O resto é história.

Meses depois, eu desembarquei em Tokyo/Yokohama para ver Pato atrair todos os olhares da mídia mundial, contra um Barcelona que, se não era o de Xavi, Iniesta, Fabregas e Messi, era o de Xavi, Iniesta, Deco e Ronaldinho.

Verdade é que, como Neymar, Pato não brilhou no Japão. Fez sua graça no jogo de abertura, deu um drible desconcertante em Puyol na final mas, pra vencer, Ceará, Gabiru e Iarley foram de herois colorados.

Como não brilharia, aliás, muitas outras vezes. Pato despontou tão novo e fez coisas tão maravilhosas em campo que sempre ganhou crédito por aqui. Não é mole fazer 60 gols pelo Milan, marcar na estreia da Seleção, ganhar do Real Madrid  no Bernabeu marcando dois gols. Mesmo nas atuações apagadas, sobretudo na Seleção, ele jamais recebeu críticas definitivas por aqui.

Cansei de ter que defender o garoto do meu amigo Fabio Bittencourt, corneta afiado, pedindo calma e tempo. Ontem, li que outro fã do Pato, Leonardo Bertozzi, ficou perto de jogar a toalha em seu blog na ESPN.

Pois, meu caro Fabio, é chegada a hora. Pato, aos 22 anos, está devendo muito mais do que promete. Ele já não merece a confiança que este blogueiro tanto colocou nele em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. 22 anos não é mais tão jovem. Vivemos num mundo cruel em que Messi tem 24 anos.

Meu caro Fábio, você tinha razão. E se em algum momento não tiver mais no futuro, agora teremos que engolir essa juntos.

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional, Seleção Brasileira Tags: , , , ,
07/09/2009 - 01:47

Obina é melhor do que Eduardo da Silva?

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O árbitro Cléber Welington Abade, de Palmeiras 2 x 1 Barueri, marcou um pênalti inexistente de Ralf em Obina, que garantiu a liderança do Brasileirão em mais esta rodada ao Palmeiras de Muricy. Veja:

O árbitro Manuel Enrique Mejuto Gonzalez, de Arsenal 3 x 1 Celtic, marcou um pênalti que não existiu que ajudou o Arsenal a seguir na Champions League, deixando de fora o tradicional time escocês. Veja:

As jogadas são muito parecidas. Dois brasileiros simularam dois pênaltis inexistentes que foram marcados e convertidos. Os julgamentos? Totalmente diferentes. Moralmente e judicialmente, diga-se.

No Brasil, o árbitro brasileiro, Cléber Abade, virou o vilão da rodada. O consenso é que trata-se de um ‘péssimo árbitro’, incapaz de apitar e faz parte da ‘horrorosa arbitragem brasileira’.

Obina não se jogou, apenas escorregou, mas ao cair já levantava os braços, inflamando a torcida e pressionando o juiz. Nenhum paladino da justiça reclamou de Obina. Jamais o atacante palmeirense enfrentará um tribunal ou uma crítica, além desta que você lê. Afinal, no Brasil, ser desonesto no ‘nível-Obina’ é aceitável e louvável. É ser esperto ou malandro. Bobo é o juiz, que cai nessa. Abade certamente será levado a mais uma geladeira e Obina vai a alguma mesa redonda dizer o quanto ele é agora feliz no Palmeiras.

Na Europa, o árbitro Manuel Enrique Mejuto Gonzalez foi considerado tão ou mais vítima do que o goleiro Artur Boruc, que desesperou-se com razão ao ver a marcação do juiz. Ninguém abriu a boca para falar do árbitro. Só existe um culpado na história. Chama-se Eduardo da Silva, aquele menino sofrido que teve a perna dilacerada por um zagueiro grosso há tão pouco tempo mas que, nem por isso, no Reino Unido, tem direito de dar uma de malandrão e enganar as pessoas com seu teatro cafona. Recebeu dois jogos de suspensão da UEFA na própria Champions e certeza de vaias por onde passar.

Eu sei que o futebol tem as suas picardias e maldades. Não gosto, aliás, da onda politicamente correta. Mas, convenhamos, a crise ética no Brasil passa pelo futebol. O vilão é o herói. O juizão é punido por não pressupor a malandragem. E o malandro sai bem na fita.

O pessoal do tribunal deveria punir Obina, como na Inglaterra fizeram com Eduardo. Quem sabe, assim, aprendemos.

Sobre a crise ética do futebol brasileiro, leia também neste blog: Senhores do tribunal, punam Domingos e não Diego Souza

Autor: - Categoria(s): Brasileirão, Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: , , , ,
31/08/2009 - 11:34

Inter, Palmeiras e São Paulo: quem tem ambição de ser campeão?

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Muricy empatou o clássico do primeiro turno e o São Paulo saiu mais feliz que o Palmeiras. E agora empatou o clássico do segundo turno e foi o Palmeiras que saiu mais feliz que o São Paulo.

Aí vem o Inter e dá outro passeio, no Goiás, e mais uma vez vamos todos exaltar o Colorado e figurá-lo (com méritos) ao time dos favoritos.

Muricy tem uma marca ruim e uma marca boa. A ruim é a vitória a qualquer custo, sem medo de escalar 8 volantes. A boa é o espírito vencedor. Aquele algo a mais que fazia o São Paulo vencer jogos impossíveis fora de casa na hora H.

Não foi o que se viu ontem no Morumbi. Nem uma coisa nem a outra. Se o Palmeiras encurralou o São Paulo no campo dele enquanto pode, o mesmo time não teve VONTADE de ganhar o jogo. Faltou o ímpeto vencedor aos seus comandados para matar o jogo e tirar o São Paulo da briga de vez. N’ao era o jogo da vida de nenhum deles.

Percebe-se, ali, que o Muricy ainda não tem o time na mão. E que assim que conseguir passar esse espírito, e ainda contar com o reforço de Love e a manutenção de Xavier e Diego Souza, vai ser difícil tirar o título do Palmeiras.

Da mesma forma, do outro lado, Ricardo Gomes tem seus limites. Tecnicamente, vem mostrando bola no chão, tabelas de calcanhar e um futebol que encantou por seis rodadas consecutivas. Algo raro no São Paulo e capaz de trazer de volta o futebol de Hernanes, Jorge Wagner e Dagoberto.

Mas tem uma certa timidez ‘Caio-Juniana’. Normal, diga-se, para quem relativamente ainda é novo no ramo e na pressão de um grande clube. É difícil transpor a barreira de time bom para time vencedor. Assim como o Palmeiras não quis vencer o jogo, o São Paulo tampouco. O fato de ter ficado de ‘bom tamanho’ o empate na maioria das falas dos jogadores ao fim do jogo revela essa tendência.

E você vai me perguntar o que o Internacional está fazendo neste post? A mesma coisa que São Paulo e Palmeiras fizeram no clássico. Se o Goiás era um jogo de seis pontos e o Galo na quarta é quase barbada, com todo o respeito ao goianos e mineiros, era no Parque Antárctica, na Vila Belmiro, no Grenal e contra o Corinthians que o Inter mostraria, mais do que futebol vistoso, a gana de ser campeão. E ainda não mostrou.

Isso é uma coisa: o título. Outra é o futebol bonito que o Inter, seus infindáveis talentos da base (agora o Marquinhos?) e suas ótimas contratações cirúrgicas mostram. Resta saber se, finalmente, um coisa levará a outra.

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: , , , ,
16/08/2009 - 19:20

Se o futebol tivesse lógica…

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O Palmeiras não `confiou` no seu treinador interino. Agradeceu, reverenciou, aplaudiu. A torcida pediu, os jogadores correram muito mais do que corriam com o Luxa mas, no final, a diretoria tomou a `atitude sensata` e contratou o mais vencedor dos técnicos de futebol da era de pontos corridos no Brasil: Muricy Ramalho.

Jorginho virou um dos aspones de Muricy. Não acompanho todos os dias o treinador, mas gente em quem eu confio muito diz que os assessores de Muricy mandam pouco ou quase nada, ainda mais um que acabou de chegar ao clã.

A `atitude sensata`, ainda que coincidentemente (ou não), diminuiu o ritmo do Palmeiras. Que agora assiste sua liderança ameaçada por Internacional, Goiás,  São Paulo e Galo após 3 empates seguidos.

Cerca de 400 km do Parque Antárctica, a Gávea viveu dilema parecido. Contratar ou não contratar um novo treinador apos a saída de Cuca. Optaram por manter o interino. Tomaram, também, em vista do que se apresentava no mercado, uma `atitude sensata`. O interino, diga-se, que como Jorginho fazia (e ainda faz) campanha, se não arrasadora, muito positiva.

Mas eis que uma goleada do Grêmio, com o Imperador em campo e tudo, muda tudo de figura. O Flamengo desce pelas tabelas com ou sem o ombro de Kleberson machucado, vê a euforia-Andrade passar, e termina o turno mais perto da zona de rebaixamento do que do título que não vence há 17 anos.

Não dá, claro, para comparar a tentativa de ser profissional da nova diretoria do Palmeiras com o amadorismo histórico dos cartolas rubro-negros.

Mas, de qualquer forma, fica a pergunta: acertou o Palmeiras ou acertou o Flamengo?

Se o futebol tivesse lógica…

Autor: - Categoria(s): Brasileirão Tags: ,
27/07/2009 - 01:46

Um Palmeiras campeão e um São Paulo mais bonito

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Edmílson, Pierre, Sousa e Cleiton Xavier.

Muricy mal assumiu e já começou a sua festa de volantes em campo.

Para completar sua praxe, seu jeito de fazer as coisas, pegou o meia ofensivo, Diego Souza, e transformou em atacante. Volantes e atacantes.

São duas as consequências imediatas dos atos de Muricy:

1) O Palmeiras joga mais feio do que quando tinha dois atacantes, um meia e um volante que sabe chegar na frente.

2) O Palmeiras fica super competitivo e grande favorito ao título brasileiro de 2009.

O mais engraçado é ver Muricy, na saída, falando que se tivesse um meia como Conca, tudo seria diferente no São Paulo. Pois tem Diego Souza agora, e parece que vai isolá-lo na frente.

Mais irônico ainda é saber que em apenas poucas semanas como treinador, Ricardo Gomes já escalou Hernanes, Jorge Wagner e Marlos juntos, no meio, com Dagoberto e Washington na frente. Os caras estão há três jogos triangulando, fazendo tabelinhas e até Hernanes voltou a jogar futebol.

São duas as consequências diretas dos atos de Ricardo Gomes:

1) O São Paulo está jogando mais solto, mais bonito, envolvente, tocando bola e capaz de gols legais como os contra o Santos, Barueri e Internacional.

2) O São Paulo fica menos competitivo, tomando sufoco, sujeito ao empate na maioria dos jogos e sua zaga de longe lembra as zagas dos últimos três anos.

E aí fica aquela dúvida:

1) Para o palmeirense, mais vale o título brasileiro que não vence há 15 anos ou melhor jogar bonito?

2) Para o são-paulino, mais vale o tetra consecutivo com mais um time chato ou um time que pode perder, mas empolgue o torcedor e leve mais gente ao quase vazio Morumbi dos últimos tempos?

Parece bom pra todo mundo por enquanto. Parece…

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: , , ,
08/05/2009 - 12:05

5,4,3,2,1… GOOOOOOOOL

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O futebol em 2009 virou está virando uma espécie de NBA do Fabio Sormani. Não tem jogo ganho até que a sirene toque, o juiz apite, o ‘cronômetro zere’, ‘at the buzzer’. E não são gols quaisquer. São gols de classificação, cesta que vale passar pelo playoff.

A revista Maxim do mês passado reuniu gols no finalzinho famosos, como o de Ricardinho contra o Santos ou o de Adriano contra a Argentina. Mas são anos de futebol à disposição de quem fez a seleção. Incrível é que em 2009, mais propriamente nos últimos 10 dias, já tenha pelo menos três gols dignos de entrar para a história envolvendo as três competições interclubes mais importantes do mundo. Dois deles classificaram, inclusive, para a final. Veja o top 3:

Primeiro foi o Claiton Xavier, aos quase 42 minutos do segundo tempo com um jogador a menos, tirando o Colo Colo e classificando o Palmeiras para as oitavas da Libertadores.

Depois veio o Iniesta, aos 48 do segundo tempo, com o gol que colocou o Barcelona na final da Champions League (só isso). Também com um a menos

Na quinta-feira foi a vez de Ilsinho, do Shakthar, fazer aos 44 do segundo tempo o gol da classificação de seu time para a final da Copa da Uefa contra o Werder Bremen. O time empatava de 1 x 1 e o resultado classificava o Dínamo Kiev.

Este ano, por via das dúvidas, melhor não sair mais cedo do estádio. Espera até o fim.

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional, Videos Futebol Tags: , , , , , ,
18/04/2009 - 20:32

Senhores do tribunal: poupem-nos de Domingos, não de Diego

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Você vai ler muito por aí que Diego Souza fez um papelão. Eu discordo em parte. O futebol tem que ser menos hipócrita. Não sei se Domingos foi instruído para tal, mas a verdade é que entrou e foi direto dizer algo no ouvido do Diego Souza, o melhor jogador do Palmeiras. Diego não fez nada e o juiz deu vermelho para os dois. Depois de expulso, Domingos (daquele tamanho) parecia ‘sei-la-o-que’ se jogando no chão, fazendo aquela cena ridícula e simulando uma agressão que não existiu. Um ator canastrão péssimo e ruim de bola.

Diego ficou revoltado e, digamos, com razão. Quem tem sangue na veia, fica mesmo revoltado com isso. Ainda mais sendo eliminado em casa por um time que já estava jogando muito melhor. Depois, da cabine, é muito fácil dizer que não podia fazer aquilo.

No final, Domingos tomou uma rasteira (e nem doeu). Diego vai pegar um gancho (pq merece, pela agressão, não tem jeito). Mas eu quero ver mesmo o juiz pegar um gancho por ter provocado tudo isso. E o Domingos, por mim, que não joga nem um décimo do que joga o Diego, podia ficar aí uns 3 anos sem aparecer nos gramados. Pela pataquada e por assumir que sua única contribuição ao time seria mesmo tirar na marra o melhor jogador adversário. Papelão. Resta saber se foi um papelão do Domingos ou um papelão do Santos. Senhores do tribunal, por favor, poupem-nos de Domingos e não de Diego.

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Em campo, o Santos deu um baile no Palmeiras. Ganso, Madson e Neymar é um trio muito bom de meio-de-campo para frente. Não acho que está pronto e acho que pode perder tanto de Corinthians (pela raça que o Corinthians vem mostrando) quanto do São Paulo (um time melhor mesmo que o Santos). Mas durante o ano, no Brasileirão, vai ser interessante de ver se eles engrenarem.

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O Palmeiras está abatido. Keirrison parece outro do começo da temporada. Longe, paradão, molenga. Kleiton Xavier fez muita falta. Mas a Libertadores segue prioridade no Palestra. O time pode se classificar ainda, mas precisa reverter essa vontade. Nem tanto para se classificar (porque acho que o Palmeiras classifica), mas sobretudo pelo adversário que pode vir a enfrentar (Boca, com melhor campanha até aqui, por exemplo).

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: , , ,
15/04/2009 - 10:44

Quem tem medo do Manchester United?

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O Porto já fez o mais difícil. Fez dois gols na inacreditável zaga do Manchester United, que começa com Rooney e termina na muralha Van der Sar. Melhor ainda: os dois gols foram em Old Trafford.

Teoricamente o mais fácil, agora, é ficar no 0 x 0 em casa nesta tarde e despachar o super favorito do ano e atual campeão do mundo Manchester United. ‘Tão fácil’, que dá até medo.

Medo inclusive é o tema da capa de dois dos principais jornais de esportes em Portugal, como nota-se abaixo.

A falta de medo explica-se. O Porto jamais perdeu em casa para um time inglês em Champions (foram 11 partidas). E não perder é mais de meio caminho para o Porto. O time só sai desclassificado em caso de empate com mais de 3 gols. Ou derrota, é claro.

Jogão, que serve de matinê para Palmeiras x Sport, a grande final do dia.

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional, Libertadores Tags: , , ,
09/03/2009 - 01:04

A metade de Ronaldo ou a crise do futebol no Brasil

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Não é de hoje que eu penso que o nível do futebol brasileiro está mesmo baixo. Vasculhe os arquivos deste blog e verá meus elogios a Ricardo Oliveira, Zé Roberto, Adriano, Nilmar e vários outros brasileiros em baixa na Europa que deram um tempinho de meses por aqui antes de voltar a tentar a vida em alto nível. Quase todos sobraram em campo (não estou falando dos que chegam já em fim de carreira).

Ricardo Oliveira talvez seja o mais emblemático dos casos. Aqui, fazia gol de esquerda, de direita, de cabeça. Era mais forte, mais ágil, ganhava as divididas e ainda era o mais habilidoso em campo invariavelmente. De volta à Europa, não emplacou no Milan, foi para o terceiro escalão do futebol espanhol no Zaragoza e segue no mesmo escalão, agora no Betis.

Então pense em Ronaldo. Ele é um gênio da história do futebol ninguém duvida. Mas nenhum louco seria capaz de discordar de mim que ele ainda não está em forma suficiente para ser um jogador de futebol profissional.

Mas aí começa sua participação de menos de 30 minutos no derbi e ele se transforma simplesmente no melhor em campo. Primeiro dá um drible no melhor marcador do Brasil, Pierre, que quase cai no chão (não sei se de emoção).

Aí, fora de forma, ele ganha no corpo de um cara forte como Jumar, e manda um chute inacreditável na trave. Mas o mais incrível foi a jogada pela esquerda. Primeiro pela facilidade com que pisou na bola e foi para a ponta esquerda, saindo na frente do adversário. Segundo pelo cruzamento, com a perna que não é a boa (se é que ainda tem alguma boa). Não é um cruzamento qualquer. É uma cavadinha, de leve, sensacional, como não existe por aqui.

Me corrijam, por favor, mas acho que nenhum jogador do Brasil, nem o Jorge Vagner, nosso principal especialista no assunto, costuma dar cruzamentos com esta categoria, ‘tirando o peso’ da bola, numa cavadinha. Quanto menos com a perna errada.

Aí vem o gol que, convenhamos, foi um momento muito mais de estrela deste predestinado jogador de futebol do que propriamente um lance genial.

E, então, o êxtase, a catarse. A felicidade de uma torcida de ter um verdadeiro protagonista do futebol mundial vestindo a camisa de seu clube. Uma coisa que não tem preço e vale mais do que três pontos.

Ronaldo ajuda a confirmar a minha triste teoria de que estamos a pé por aqui. Que nossos craques estão mesmo bem longe de nossos estádios e mais perto de nossos canais de TV a cabo (ainda bem que eles existem).

E Ronaldo prova que precisa apenas de MEIO tempo e MEIA perna. Dá e sobra. E dá até certo medo de pensar no que ele seria capaz de fazer em campo caso começasse a fazer apenas MEIA baladinha. Provavelmente bastaria, infelizmente, para que ficasse no Brasil apenas até o MEIO da temporada.

foto: Reuters

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: , , , , ,
04/03/2009 - 09:01

Palmeiras 1 x 3 Colo Colo – as coisas que vi da arquibancada

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– Não sei como foi na TV, mas obviamente Cleiton Xavier se sacrifica em nome de Diego Souza. Essa é uma boa desculpa, mas não é só isso. O novo 10 do Palmeiras sumiu a valer no jogo mais importante que disputou em casa até agora. Se é coincidência ou será algo repetitivo só o tempo (ou o próximo clássico) dirá.

– Diego Souza definitivamente não acerta no Palmeiras. Mas, convenhamos, junto com o incansável Pierre, foi dos poucos que procurou o jogo. Cleiton Xavier não apareceu. Outro presente foi Williams, enquanto aguentou…

– …falar nele, a velocidade de Williams é algo inacreditável. Nos primeiros 30 minutos de jogo, ele ganhou todas na corrida, tanto na frente como ajudando na marcação. Mas a impressão é de que vai perdendo fôlego com o decorrer do jogo. No segundo tempo, perdeu na corrida num contra-ataque do Colo Colo que quase resultou em gol. De duas uma: ou ele começa a dosar no começo ou terá que ser uma substituição obrigatória sempre.

– O goleiro Bruno estava disperso no segundo tempo. Cabeça baixa. Quando a bola estava com o Palmeiras no ataque, ele estava parado com as mãos na cintura. E quase não ‘aqueceu’ ou gritou. Na jogada do terceiro gol, esse ‘sono’ ficou claro já que o atacante adiantou a bola na corrida e o goleiro, que estava plantado na frente do gol, sequer tentou sair para abafar a jogada. Com o time todo no abafa e dois zagueiros lentos, Bruno tinha que se adiantar e ficar na cabeça da área quando o Colo Colo, que só vivia de contra-ataque, estivesse com a bola. Após o terceiro gol, apenas se lamentou.

Keirrison, matador, fez um belo gol de cabeça e perdeu o grande lance para empatar o jogo. Longe da bola, abriu pouco espaço, movimentou-se mal, embolando o já fechado ferrolho chileno. Foi péssimo na partida e mesmo assim quase saiu como herói. Ou seja, a fase é boa mesmo.

– A parte experiente do time do Palmeiras, Marcão e Edmilson, foi a mais vaiada pela torcida. Marcão na lateral esquerda não aguenta. E Edmílson, que falou estar arrepiado de voltar a ouvir a torcida brasileira nas primeiras vitórias, sentiu ontem a parte ruim de entender o que a torcida grita. Lento, foi o mais vaiado de todos. Nos últimos 10 minutos, não podia tocar na bola que ganhava vaia geral.

– Luxa, que ganhou um coro especial da torcida de que só ganha o ‘Paulistinha’, foi para o vestiário de paletó e voltou só de camisa no calor insuportável que fazia na cidade de São Paulo. Ouviu poucas e boas da tal turma do amendoim.

– Naquela região, aliás, uma parte da torcida ficou irritada com a eloquencia de um narrador chileno no momento do segundo gol. O ‘gol’ dele extrapolava o vidro e chegava forte no silêncio que tomava conta daquele setor.

– Não é desculpa, lógico. Até porque o juiz não foi mal em lances decisivos. Mas as arbitragens sul-americanas são coniventes demais com a catimba dos times não-brasileiros e argentinos. Ontem foi irritante o número de vezes que o jogo parou para atendimento de jogadores chilenos. Além do tempo perdido, que nunca é totalmente recuperado, esse cai-cai vai minando jogadores e torcedores.

– Jogo às 21h50 é um absurdo. Mas jogo às 20h00, em São Paulo, é desumano. Detona todo o trânsito da cidade e faz com que boa parte do estádio só consiga entrar aos 40 do primeiro tempo. Acho que 20h30 é o ideal (para a cidade de São Paulo).

Autor: - Categoria(s): Direto da Arquibancada, Futebol Brasileiro Tags: , , , , ,
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