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26/07/2012 - 23:27

La Doce

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Questão de uns 3 meses atrás, um SMS do amigo Oliver dizia: “Comprei um livro pra você, mandei pelo correio”. Rara gentileza (livro + correio + presente fora de época), dois ou três dias depois chegou enrolado num papel filme La Doce, do jornalista argentino Gustavo Grabia, sobre a mais famosa (e temida) torcida organizada do Boca Juniors e da Argentina, talvez do mundo.

Apesar do amigo Oliver ser o mentor do sebo/site Raridade, especializado em edições obras especiais, La Doce não é exatamente uma raridade.  Foi lançado no Brasil pela editora do também amigo Marcelo Duarte, a Panda Books. Está nas melhores livrarias, sites e bancas.

Só essa semana finalmente comecei (e terminei) a leitura. La Doce é mais do que um livro com a história da torcida organizada (ou facção criminosa) do Boca. É um estarrecedor relato sobre as relações promíscuas entre seus violentos líderes, o poder público, a política, dirigentes, técnicos e os jogadores.

De Meném a Kirchner, de Maradona a Palermo, o livro de Grabia mostra uma rede digna de filme de Poderoso Chefão de juízes, policiais, promotores e políticos que se envolveram e tomaram proveito do poder emanado das arquibancadas e dos arredores de La Bombonera.

O livro conta a trajetória de ascensão e queda dos maiores líderes da La Doce desde a sua criação, Enrique “Carnicero”, José “El Abuelo” Barrita, Rafael Di Zeo e o atual Mauro Martin. E todas as sangrentas brigas pelo poder entre eles e entre outros membros da torcida.

Como uma máfia, com a conivência de dirigentes, jogadores, a polícia, e a certeza da impunidade, La Doce se notabilizou pela revenda de ingressos doados pelo clube, controlar toda a venda de merchandising e comida nos arredores do estádio, estacionamento, entre outras atividades ilícitas. Passaram de brigas com as mãos dos primeiros anos para sangrentas batalhas com armas de fogo que marcam a torcida até hoje.

Com a maioria dos jogadores nas mãos (invadem a concentração e o clube como querem e os jogadores que “colaboram” com um dinheirinho são poupados das vaias), eles também faturam fortunas levando os craques do Boca para eventos deles, todos cobrados. Um telefonema e os “torcedores” descolavam uma foto com Palermo ou uma pelada com Riquelme. Num episódio anterior, um dos mais lights que o livro relata, ainda com El Abuelo no comando, os torcedores invadiram a concentração e mandaram tocar a bola para um jovem Maradona. El Diez, aliás, foi íntimo de Rafa Di Zeo, o mais charmoso e influente dos capos da Barra, por assim dizer. Recentemente, Martin faria o mesmo com Riquelme, exigindo que o ídolo maior do clube passasse a bola para Palermo, o “melhor amigo” da Organizada entre os jogadores.

Carlos Bianchi, diga-se, ao menos na versão do autor, é um dos poucos técnicos que não aceitou a influência da torcida no seu time. Mas o acordo não foi simples. Os dirigentes tiveram que “pagar um extra” para a arquibancada principal da La Doce poupar o time durante o comando do treinador.

O livro relata também grande parte das mortes promovidas e episódios épicos que envolvem desde brigas internacionais (como uma surra que deram nos hooligans ingleses na Copa de 1986 no México, em viagem grande parte pratrocinada pelo próprio técnico Bilardo) até inglórias batalhas em Buenos Aires contra as barras dos inimigos de outros clubes e mesmo contra grupos rivais dentro da própria La Doce.

Recomendo.

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional, Libertadores Tags: ,
27/11/2009 - 15:36

Os dez mais do São Paulo de Arnaldo Ribeiro

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