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29/05/2009 - 15:49

A cascata do volante que sabe sair jogando

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Denúncia urgente! Fomos enganados!

Há uns dois, três anos, surgiu essa história do ‘volante-que-sabe-sair-jogando’. A crônica esportiva enalteceu. Compramos a causa e comemoramos Lucas, Ramires, Hernanes, Cleiton Xavier, Ibson, Elias e etc. É o fim de Josué, Gilberto Silva, entre tantos.

E os técnicos, todos, só com um sorrisinho no canto da boca, como quem dizem: ‘caíram feito patinhos’.

O que era para tornar o futebol mais ofensivo, virou justamente o contrário. Com o moral que jogadores como Ramires e Hernanes ganharam na mídia, os técnicos, sorrateiramente, aproveitaram para empurrar os ‘volantes-que-sabem-sair-jogando’ para o lugar dos meias. E, claro, dois ou até três volantes propriamente ditos (os que não sabem jogar), atrás deles.

Atrás de Hernanes, tem Jean e Eduardo Costa. Ao lado, Jorge Wagner. Atrás de Ibson, tem Toró e Airton. Ao lado, Kleberson. Atrás do Ramires tem Fabrício, Henrique e Marquinhos Paraná. E agora que o meia ofensivo (mesmo), Wagner, pode voltar ao time, Adílson nem precisa quebrar a cabeça. Tira o Ramires, vendido, entra Wagner. Troca o ‘volante que sabe jogar’ pelo meia.

O Santos, por exemplo, não tem volante que sabe jogar. Isso porque tem um meia ofensivo mesmo, que é o Paulo Henrique e, além do ofensivo Madson. O Corinthians tem Elias, volante que sabe jogar, e Douglas, meia. Um caso raro, diga-se. Mas a má fase do Douglas, infelizmente, acaba minando o resultado que poderia dar. A salvação do modelo pode ser o Inter, que tem D’Alessandro mas tem gente que sabe vir com a bola também de trás.

Até Luxemburgo, que sempre foi o técnico mais ofensivo do Brasil (só lembrar do Cruzeiro e do Santos dele campeões), está sucumbindo. Tinha Cleiton Xavier como segundo volante, com Diego Souza de meia, e dois atacantes. Não é de hoje que Cleiton Xavier ganhou dois escudeiros atrás dele (Souza e Pierre), passando Diego Souza lá para o lado do Keirrison.

Do São Paulo eu tenho até preguiça de comentar. O sindicato dos volantes é muito atuante ali. Contra o Cruzeiro, Muricy escalou um volante de lateral-direito e outro volante de lateral-esquerdo. No meio de campo são quatro volantes, sendo dois propriamente ditos e dois ‘que sabem jogar’. Seis volantes em campo entre os que sabem jogar e os que não sabem.

Aposto que o goleiro Dênis, nos rachões, joga de volante para agradar o Muricy. E a consequência é tão óbvia. A nova função está matando o Hernanes. Como segundo volante, era o melhor da posição no país. Como meia, como 10, não tem bola para isso. Mais do que isso, nas duas chances maiores que o São Paulo teve de empatar contra o Cruzeiro, uma caiu no pé do Eduardo Costa e outra no pé do Jean. Deu no que deu.

Aí meus colegas jornalistas ficam bravos pois o Dunga diz que o Ramires ele só pode chamar para o lugar do Kaká ou do Ronaldinho Gaúcho. Me desculpem, mas Dunga é o único que não está sendo hipócrita nesta história. O Ramires joga como Kaká no Cruzeiro. Fato. Na frente dele, apenas dois atacantes. Nossos técnicos, que não são bobos, dão de ombros e comemoram que a culpa toda vai pro técnico da Seleção. Atuasse o Hernanes de segundo volante, assim como Jorge Wagner, com apenas Jean de volantão clássico, e um Dagoberto de meia de ligação servindo Borges e Washington na frente, Dunga não teria desculpa.

O Muricy anda tão obcecado por esta história que eu sou capaz de apostar que se o Ronaldinho Gaúcho chegar ao Morumbi, ele não o escala de meia, recuando Hernanes, mas sim de atacante, mantendo os quatro volantes no meio.

Enfim, a cascata foi armada. Nós caímos. Chegamos a imaginar que seria possível ter um meio de campo no Brasil com peças semelhantes ao do Milan (Gattuso, Pirlo, Seedorf e Kaká) , ou do Manchester United (Carrick, Anderson, Scholes e Cristiano Ronaldo).

Chegamos a imaginar que o sucesso e a pressão seriam tão grandes que Dunga seria obrigado a escalar Ramires, Hernanes, Anderson e Kaká ou Lucas, Ramires, Ronaldinho e Kaká.

Mas foi o contrário.O futebol ficou mais defensivo. Os meias sumiram. Os poucos camisas 10, espécie em extinção, estão perdendo seus empregos para ‘os-volantes-que-sabem-jogar’.

E em vez de ganhar um jogador defensivo que sabe ir para frente, ganhamos um meia que volta para marcar. E eles ainda querem que a gente agradeça. Inverteram a discussão.

E se você, garoto, tentar uma peneira qualquer dia desses num grande clube e perguntarem qual a sua posição, já sabe o que responder, né? Não arrisca, não. Fala volante… Aí depois você decide com qual número de camisa quer jogar.

Fomos enganados… De novo!

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional, Seleção Brasileira Tags: , , , , , ,
08/05/2009 - 12:05

5,4,3,2,1… GOOOOOOOOL

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O futebol em 2009 virou está virando uma espécie de NBA do Fabio Sormani. Não tem jogo ganho até que a sirene toque, o juiz apite, o ‘cronômetro zere’, ‘at the buzzer’. E não são gols quaisquer. São gols de classificação, cesta que vale passar pelo playoff.

A revista Maxim do mês passado reuniu gols no finalzinho famosos, como o de Ricardinho contra o Santos ou o de Adriano contra a Argentina. Mas são anos de futebol à disposição de quem fez a seleção. Incrível é que em 2009, mais propriamente nos últimos 10 dias, já tenha pelo menos três gols dignos de entrar para a história envolvendo as três competições interclubes mais importantes do mundo. Dois deles classificaram, inclusive, para a final. Veja o top 3:

Primeiro foi o Claiton Xavier, aos quase 42 minutos do segundo tempo com um jogador a menos, tirando o Colo Colo e classificando o Palmeiras para as oitavas da Libertadores.

Depois veio o Iniesta, aos 48 do segundo tempo, com o gol que colocou o Barcelona na final da Champions League (só isso). Também com um a menos

Na quinta-feira foi a vez de Ilsinho, do Shakthar, fazer aos 44 do segundo tempo o gol da classificação de seu time para a final da Copa da Uefa contra o Werder Bremen. O time empatava de 1 x 1 e o resultado classificava o Dínamo Kiev.

Este ano, por via das dúvidas, melhor não sair mais cedo do estádio. Espera até o fim.

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional, Videos Futebol Tags: , , , , , ,
04/03/2009 - 09:01

Palmeiras 1 x 3 Colo Colo – as coisas que vi da arquibancada

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– Não sei como foi na TV, mas obviamente Cleiton Xavier se sacrifica em nome de Diego Souza. Essa é uma boa desculpa, mas não é só isso. O novo 10 do Palmeiras sumiu a valer no jogo mais importante que disputou em casa até agora. Se é coincidência ou será algo repetitivo só o tempo (ou o próximo clássico) dirá.

– Diego Souza definitivamente não acerta no Palmeiras. Mas, convenhamos, junto com o incansável Pierre, foi dos poucos que procurou o jogo. Cleiton Xavier não apareceu. Outro presente foi Williams, enquanto aguentou…

– …falar nele, a velocidade de Williams é algo inacreditável. Nos primeiros 30 minutos de jogo, ele ganhou todas na corrida, tanto na frente como ajudando na marcação. Mas a impressão é de que vai perdendo fôlego com o decorrer do jogo. No segundo tempo, perdeu na corrida num contra-ataque do Colo Colo que quase resultou em gol. De duas uma: ou ele começa a dosar no começo ou terá que ser uma substituição obrigatória sempre.

– O goleiro Bruno estava disperso no segundo tempo. Cabeça baixa. Quando a bola estava com o Palmeiras no ataque, ele estava parado com as mãos na cintura. E quase não ‘aqueceu’ ou gritou. Na jogada do terceiro gol, esse ‘sono’ ficou claro já que o atacante adiantou a bola na corrida e o goleiro, que estava plantado na frente do gol, sequer tentou sair para abafar a jogada. Com o time todo no abafa e dois zagueiros lentos, Bruno tinha que se adiantar e ficar na cabeça da área quando o Colo Colo, que só vivia de contra-ataque, estivesse com a bola. Após o terceiro gol, apenas se lamentou.

Keirrison, matador, fez um belo gol de cabeça e perdeu o grande lance para empatar o jogo. Longe da bola, abriu pouco espaço, movimentou-se mal, embolando o já fechado ferrolho chileno. Foi péssimo na partida e mesmo assim quase saiu como herói. Ou seja, a fase é boa mesmo.

– A parte experiente do time do Palmeiras, Marcão e Edmilson, foi a mais vaiada pela torcida. Marcão na lateral esquerda não aguenta. E Edmílson, que falou estar arrepiado de voltar a ouvir a torcida brasileira nas primeiras vitórias, sentiu ontem a parte ruim de entender o que a torcida grita. Lento, foi o mais vaiado de todos. Nos últimos 10 minutos, não podia tocar na bola que ganhava vaia geral.

– Luxa, que ganhou um coro especial da torcida de que só ganha o ‘Paulistinha’, foi para o vestiário de paletó e voltou só de camisa no calor insuportável que fazia na cidade de São Paulo. Ouviu poucas e boas da tal turma do amendoim.

– Naquela região, aliás, uma parte da torcida ficou irritada com a eloquencia de um narrador chileno no momento do segundo gol. O ‘gol’ dele extrapolava o vidro e chegava forte no silêncio que tomava conta daquele setor.

– Não é desculpa, lógico. Até porque o juiz não foi mal em lances decisivos. Mas as arbitragens sul-americanas são coniventes demais com a catimba dos times não-brasileiros e argentinos. Ontem foi irritante o número de vezes que o jogo parou para atendimento de jogadores chilenos. Além do tempo perdido, que nunca é totalmente recuperado, esse cai-cai vai minando jogadores e torcedores.

– Jogo às 21h50 é um absurdo. Mas jogo às 20h00, em São Paulo, é desumano. Detona todo o trânsito da cidade e faz com que boa parte do estádio só consiga entrar aos 40 do primeiro tempo. Acho que 20h30 é o ideal (para a cidade de São Paulo).

Autor: - Categoria(s): Direto da Arquibancada, Futebol Brasileiro Tags: , , , , ,
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