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07/01/2013 - 12:24

Epinal x Molène

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Eu nunca sei se o ditado diz que é a vida que imita a arte ou a arte que imita a vida. Mas o ano começou na França, mais especificamente no futebol, com uma dessas histórias de cinema. No último domingo (e a Sportv mostrou ao vivo), o pequeno SAS Epinal, da terceira divisão da França, venceu e eliminou nos pênaltis o Lyon da Copa da França.

O cenário era digno de filme – um estádio minúsculo, um gramado de futebol amador e as estrelas do Lyon acanhadas perto de tamanha vontade dos jogadores do pequeno time.

E aqui entra o parênteses cinematográfico. Muito por acaso, no sábado, eu assisti a um filme francês com o futebol como enredo. “Les Seigneurs” (2012), ou Os Lordes, numa tradução livre, conta a história de um ex-ídolo chamado de “Mágico” do futebol francês, que se entrega ao alcoolismo e perde o direito de ver sua filha depois de uma série de papelões públicos. O personagem, pode-se dizer, tem “inspiração”  numa mistura de Maradona com Zidane e Cantona.

Para voltar a ver sua filha, precisa ter um emprego fixo, parar de beber e convencer a juíza. O emprego em questão que resta é treinador de um time de futebol amador chamado Molène, numa ilha de mesmo nome, que por obra do acaso vai avançando na Copa da França. Ele assume a equipe com a missão de avançar mais 3 rodadas para conseguir dinheiro para salvar o grande comércio local, uma fábrica de conservas que emprega a maioria da população da cidade. Para isso, chama uma série de ex-jogadores consagrados, mas cada um com seu problema (alcoolismo, prisão, síndrome do pânico, problema cardíaco). Todos eles topam ganhar mil euros por mês e voltam ao futebol, com seus 40 e mais anos e acostumados aos grandes clubes ingleses e franceses.

Filme bobo, nenhuma grande obra-prima cinematográfica e muito menos um grande filme com futebol como O Milagre de Berna ou Maldito Futebol Clube. Mas, enfim, tem futebol, algumas passagens bem engraçadas e cenas bem sacadas como a da torcida chegando de barco para um jogo numa ilha adversária. Um dos jogadores, que lembra Patrick Viera, é o ator do (este sim) excelente filme The Intouchables, Omar Sy.

Sem muito spoiler: o time avança duas rodadas e na terceira vai encarar o Olympique de Marseille. Consegue levar o jogo para os pênaltis. E…

Cortamos de volta para a realidade. A cidade de Epinal levou o jogo contra o Lyon para a prorrogação e pênaltis. No tempo normal, 3 x 3. O Lyon tem estrelas como Michel Bastos, Gomis, Lisandro Lopez.

O Epinal tinha muita vontade de vencer e colocou seus 11 jogadores na história do clube.

Aqui o trailer do filme, em francês:

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional Tags: , ,
11/06/2010 - 11:58

Cinema Perna-de-Pau

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Por Maurício Targino

Em seus primeiros minutos, The Game of Their Lives (que no Brasil foi “fielmente traduzido” para Duelo de Campeões) até promete ser um filme se não excelente, ao menos honesto em sua intenção de resgatar um dos fatos mais impactantes da história do futebol: a vitória da modesta Seleção dos EUA sobre a poderosa Inglaterra na Copa de 1950.

Nas arquibancadas do estádio Robert F. Kennedy em Washington, minutos antes de começar o All-Star Game da Major League Soccer em 2004, está Dent Mcskimming, o único jornalista norte-americano que cobriu a ida do time norte-americano ao Mundial do Brasil. Em off, ele narra a história.

O fato de que o verdadeiro Dent McSkimming morreu em 1976, a princípio não chega a incomodar. Afinal, se está diante de um típico filme norte-americano de Sessão da Tarde. Mas os problemas da película dirigida por David Anspagh começam aí.

No início de 1950, numa pequena comunidade de St Louis, alguns jovens veteranos da II Guerra Mundial começam a se destacar jogando soccer. Quando a Federação Norte-Americana resolve fazer uma seletiva para escolher os jogadores que representarão o país na Copa do Mundo de 1950, eles vêem uma oportunidade de mudar suas vidas e entrar para a história. Sim, você já viu esta história com outra embalagem em outros filmes.

Daí em diante, vemos a preparação, os conflitos, os dramas, tudo contado de forma mais do que convencional (e repleto de inaceitáveis “liberdades criativas”) até a apoteótica vitória sobre os esnobes ingleses.

O elenco tem algumas caras conhecidas como Gerald Butler (300), como o goleiro Frank Borghi, Wes Bentley (Beleza Americana), como o capitão do time Walter Bahr, além de Patrick Stewart como o velho Dent McSkimming. Todos em atuações corretas, mas nada que influencie positiva ou negativamente suas carreiras.

As cenas de futebol são irregulares, pouco convincentes em vários momentos. Mas não chegam a ser o que torna The Game of Their Lives um filme ruim. Isso cabe às já citadas “liberdades criativas” do roteiro de Angelo Pizzi, inspirado no livro homônimo de Geoffrey Douglas. Isso sem contar a intragável trilha sonora de Angelo Roos, que mata por completo qualquer possibilidade de gostar do filme.

Joe Gaetjens, atacante de origem haitiana que marcou o gol da vitória sobre os ingleses, é retratado de maneira ridícula e seu triste fim (desapareceu durante a ditadura de Papa Doc Duvalier no Haiti) não é mencionado.

Dentre as distorções históricas do roteiro, a que mais irrita é a relacionada à campanha dos EUA na Copa. A partida de estréia, derrota por 3×1 para a Espanha em Curitiba, sequer é mencionada. Quem não sabe o mínimo de história do futebol imagina que a vitória sobre a Inglaterra no estádio Independência em Belo Horizonte (ridiculamente encenado no estádio da Laranjeiras, no Rio, com os prédios ao redor aparecendo várias vezes) foi a estréia da equipe.

Recife, onde os EUA fizeram sua derradeira partida na Copa (derrota por 5 a 2 para o Chile) é citada apenas como o local de uma base norte-americana que irá disponibilizar um avião para levar a equipe até Belo Horizonte. Como o filme mostra a equipe hospedada no Rio de Janeiro, mesmo sem ter realizado nenhuma partida lá (exceto nas filmagens), fica a impressão de que foi mera desculpa para a equipe do filme curtir a Cidade Maravilhosa.

Curiosidades: Stan Mortensen, craque inglês da época, é interpretado por Gavin Rossdale, vocalista da banda Bush, que fez relativo sucesso em meados da década de 1990; e o correspondente da BBC no Brasil, Tim Vickery, aparece rapidamente como locutor da rádio BBC na partida retratada no filme.

Ao final dos noventa minutos do filme, fica a sensação de ter assistido uma partida de amadores jogando sem vontade. Mas é um caso típico de filme ruim que deixa uma lição importante: a de como é possível estragar por completo uma grande história através da maneira de contá-la.

PS: não confundir com o documentário de 2002 também chamado The Game of Their Lives, que fala da Seleção Norte-Coreana que disputou a Copa de 1966. Esse sim é um grande filme.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
15/03/2010 - 18:43

Armero e o Ritual do Tamanduá Africano’

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Eu sabia que já tinha visto isso…

… em algum lugar.

Pra quem não tem ideia do que está acontecendo, são cenas do antológico Namorada de Aluguel (Can’t Buy Me Love), filme de 1987. O ‘galã’ magrelo Patrick Dempsey hoje é o badalado Dr. Derek Sheperd, da série Grey s Anatomy. A mocinha que tirou o sono de adolescentes da época era Amanda Peterson.

Nerd de tudo, o protagonista, numa baita sacanagem do irmão mais novo, aprende a dançar sem querer num programa do tipo Discovery Channel durante a reprodução do ritual de dança do tamanduá africano. No baile, ele mostra os passos, que acabam pegando.

Aaaa Armero. Descobri onde você aprendeu a dançar. Gênio.

Autor: - Categoria(s): Brasileirão Tags: ,
15/03/2010 - 14:22

Argentina e o Oscar em ano de Copa (de novo)

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Por Maurício Targino

Quem não esteve em Marte nos últimos dias sabe que o filme argentino O Segredo dos Seus Olhos faturou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Dias antes de receber o prêmio, já era comentado pela fantástica tomada do estádio do Huracán, o Tomás Adolfo Ducó (não é o Cillindro de Avellaneda, do Racing, como muitos têm se referido), que por si só já valeria o ingresso.


Entretanto, por mais fascinante que seja a cena supracitada, ela é uma dentro de um filme arrebatador. Sim, é apenas mais uma cena do filme.

O segundo triunfo dos vizinhos no prêmio que permanece inédito para os brasileiros levanta mais uma vez a questão: o que o cinema argentino tem para ser “melhor” que o brasileiro? Em um artigo recente, o crítico de cinema Inácio Araújo afirmou que nos filmes argentinos a realidade social surge a partir dos personagens (e do espectador) ao passo que no cinema brasileiro a realidade é “jogada na cara” dos personagens e, principalmente de quem assiste. Assim, o cinema brasilis seria um cinema paternalista, que não deixa o espectador pensar por si só.

O Segredo dos Seus Olhos ilustra bem esse raciocínio. Com idas e vindas num intervalo de 25 anos, mostra a investigação, solução e conseqüências do assassinato de Liliana Coloto (a bela Gabriela Quevedo).  O agente de justiça Benjamin Espósito (o excelente Ricardo Darín), auxiliado por seu colega Pablo Sandoval (o também ótimo Guillermo Francella, quase-sósia de Woody Allen) tenta resolver o caso, a princípio um estupro seguido de morte que acontece no ano de 1974, quando já se vivia a atmosfera de repressão que culminaria no golpe militar anos depois.

Aí entra o observado por Inácio Araújo. O filme não faz referência alguma (ao menos diretamente) a esse clima político. Deixa que os personagens expressem e principalmente o espectador perceba. Não subestima, pelo contrário, estimula a inteligência de quem assiste.

O cinema argentino em geral, e O Segredo dos Seus Olhos em particular, usam de um expediente básico para conquistar o espectador (e uma penca de prêmios também): tudo começa com uma boa e bem-contada história e com bons personagens (e absolutamente todos, do protagonista aos figurantes de O Segredo… são excelentes).

A partir da história e dos personagens bem construídos, só um elenco medíocre e um diretor muito ruim são capazes de estragar o filme. E aqui não é o caso. O protagonista Ricardo Darín inspirou a pérola twitteriana: “Se a Argentina tivesse um Darín no futebol, teria ganho pelo menos dez Copas do Mundo”. Exagero à parte, dá uma medida da qualidade de seu trabalho.

Quanto ao diretor Juan José Campanella (de O Filho da Noiva, também indicado ao Oscar em 2002) pode-se dizer que conduz o filme com firmeza e equilíbrio. Além disso, não se rende fácil ao “clima romântico” entre o protagonista Espósito e sua colega e superiora Irene Menendéz Hastings (a deslumbrante Soledad Villamil, de Un Oso Rojo, um dos grandes filmes argentinos, na humilde opinião deste que escreve). Fosse um filme brasileiro, já se sabe o que logo iria acontecer entre Espósito e Irene…

Assim, sendo, a parte técnica se torna um complemento. E que complemento. A maquiagem dos personagens envelhecidos é magistral, como se pode ver no detalhe das rugas no pescoço de Darín (mostradas em plano fechado num dado momento).

Enquanto o cinema brasileiro reclama da falta de apoio e gasta 12 milhões num lixo como Olga, os hermanos fazem um filme melhor que o outro, sem chororô. E o pior (ou melhor de tudo): com identidade e orgulho da própria arte.

22 libertadores, 14 Copas América, 2 Copas do Mundo, 2 medalhas olímpicas de ouro no futebol e, agora, 2 Oscar. Quem liga para a rivalidade “galvãobueniana” entre Brasil e Argentina, esbraveja que naquilo que importa o Brasil é melhor e tem cinco contra apenas duas.

E complementa que o troco vai ser dado na bola, em junho/julho, na África do Sul. Mas cabe um alerta: sabem em que ano A História Oficial levou a estatueta dourada pela primeira vez para a terra de Maradona?

Sim, foi no mesmo ano em que hoje treinador da Seleção Argentina levantou outro badalado troféu dourado, num país ao sul da terra do Oscar.

Se coincidência faz efeito sobre Brasil x Argentina podem ir colocando as barbas de molho…

Nota do editor do BlogdeBola: agradeço ao Targino pela crônica. Este blog vai vivendo seus últimos momentos antes de uma mega reformulação e vai adiantando que cinema vai fazer parte do novo projeto. Aguardemmmm</span>

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional Tags: , ,
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