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Arquivo da Categoria Futebol Brasileiro

27/02/2012 - 23:29

O cara que fica…

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Não faço parte do grupo que acha que o trabalho do Dunga foi péssimo. Na verdade, dada a sua nenhuma experiência, a má fase de Ronaldinho e Kaká, e sobretudo o briefing que recebeu ao ser contratado, que era encher esses mimados de porrada acabar com a mordomia e a festa de 4 anos antes, acho que Dunga foi muito melhor do que Parreira havia feito em 2006. Não que isso queira dizer que ele foi excelente, o que não foi. Apenas acho que razoável para bom é o mais indicado.

Aviso importante: o restante deste post vai falar principalmente de Ganso e Neymar.

Aviso mais importante: eu não acho que teria alguma diferença prática no resultado de Brasil x Holanda se Ganso e Neymar tivessem sido convocados por Dunga.

Meu ponto é outro. Segue…

Corta para 2012 e Ganso e Neymar são, de longe, as duas grandes esperanças do futebol brasileiro para a Copa de 2014. E eu pergunto a vocês: alguém aí tem confiança plena de que eles têm chance real de fazer o Brasil ganhar a Copa em casa?

Me adianto a vocês: a resposta é não. Por melhores que sejam (e eles são muito bons) a gente sabe que eles não conseguiriam vencer uma Copa. Nem o chefe deles, Mano Menezes, confia. Tanto que já voltou a chamar Ronaldinho (até quando?) e Kaká e logo logo deve aparecer Robinho por aí.

E entre vários motivos de falta de confiança, destaco um deles: o fato de Dunga não ter levado Ganso e Neymar para o último Mundial. Mais uma vez, vou isentar Dunga pela falha. Do jeito que é pensada a estrutura do futebol no Brasil, restava a Dunga levar 23 jogadores da confiança dele. Se o clamor popular era Ganso e Neymar nas vagas de Julio Baptista e Kleberson, é bom lembrar que Julio decidiu a Copa América para Dunga contra Messi e cia. E que Kleberson trazia a bagagem de 2002.

O que eu quero dizer é que falta na seleção o cara que fica. O diretor, manager, dirigente, presidente, seja lá quem for, que pense um pouco além dos 30 dias da Copa, que sobreviva ao fim do torneio, ao ciclo de um treinador. Dunga seria cobrado pelos 30 dias. Entre o conhecido e o duvidoso, ficou com o primeiro. A meta dele era muito clara e você pode discutir que Neymar é melhor que Julio Baptista para você. Mas não pode afirmar que, na época, uma decisão seria mais certa que a outra.  Assim como a opção por Grafite em vez de Pato.

E é justamente aí que mora o crime. Certamente Ganso e Neymar (cito os dois, mas a lista poderia ter Jefferson, afinal, alguém lembra os outros dois goleiros do último Mundial?) seriam outros jogadores se tivessem estado naquela Copa. Como Ronaldo em 1994 ou Kaká em 2002, que sequer jogaram.

A formação do atleta se faz com a dor de uma eliminação, o ambiente de um Mundial, ver de perto os jogadores que usa no Playstation, sentir o frio na barriga. Ter ido ao Mundial só traria bagagem aos que hoje, injustamente, são os arrimos da seleção que sediará a próxima Copa.

Neymar e Ganso tentam ser líderes de um time que não tem transição. Famosa bola na fogueira.

O cara que fica tem que ter uma cota nas convocações. Vetar ou impor nomes que fazem ou não parte do projeto futuro. De preferência não receber nem bicho se ganhar um torneio, inclusive a Copa, pois a meta dele seria sempre o próximo, não o atual. No mundo corporativo a gente vê executivos fazendo absurdos em nome de “cumprir a meta”. Tudo pelo bônus e eles não estão errados já que a lógica é essa.

O mundo do futebol não é muito diferente.

Ps: Fica aqui a lista dos 23 de Dunga, o executivo, que não é pago para fazer a empresa prosperar no futuro…

GOLEIROS: Julio César (Inter de Milão), Gomes (Tottenham), Doni (Roma)
LATERAIS: Maicon (Inter de Milão), Daniel Alves (Barcelona), Michel Bastos (Lyon), Gilberto (Cruzeiro)
ZAGUEIROS: Lúcio (Inter de Milão), Juan (Roma), Luisão (Benfica), Thiago Silva (Milan)
MEIO:
Felipe Melo (Juventus), Gilberto Silva (Panathinaikos), Ramires (Benfica), Elano (Galatasaray), Kaká (Real Madrid), Josué (Wolfsburg), Julio Baptista (Roma), Kleberson (Flamengo)
ATACANTES: Robinho (Santos), Luis Fabiano (Sevilla), Nilmar (Villarreal), Grafite (Wolfsburg)

Ps2: Esse cara que fica, cof cof, não pode ser o Américo Faria, ok?

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Seleção Brasileira Tags: , , ,
02/01/2012 - 23:20

Pato não voa

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Pessoal do Milan (super) empenhado no alongamento na praia, em Dubai, onde o time vai enfrentar o PSG num amistoso.

A foto (STR/AFP/Getty Images) é melhor que o post, na verdade.

Eu queria chamar a atenção para o Alexandre Pato.

Este blog é fã de Pato. Ou sempre foi. Ainda lembro da tarde em que fui vê-lo no Parque Antarctica jogar pela primeira vez em 2006. De folga, eu estava a meia hora da rua Turiassu e tinha, no estômago, um almoço de domingo pesado. Na alma, muita preguiça e, em casa, o conforto do pay-per-view. Forças superiores e uma curiosidade intensa com o garoto me mandaram assistir aquele Palmeiras x Internacional. Foram 45 minutos sublimes e um gol no seu segundo toque na bola como profissional, antes do jogo completar 1 minuto. Eu vi acontecer e até hoje ainda arrepio de lembrar. O resto é história.

Meses depois, eu desembarquei em Tokyo/Yokohama para ver Pato atrair todos os olhares da mídia mundial, contra um Barcelona que, se não era o de Xavi, Iniesta, Fabregas e Messi, era o de Xavi, Iniesta, Deco e Ronaldinho.

Verdade é que, como Neymar, Pato não brilhou no Japão. Fez sua graça no jogo de abertura, deu um drible desconcertante em Puyol na final mas, pra vencer, Ceará, Gabiru e Iarley foram de herois colorados.

Como não brilharia, aliás, muitas outras vezes. Pato despontou tão novo e fez coisas tão maravilhosas em campo que sempre ganhou crédito por aqui. Não é mole fazer 60 gols pelo Milan, marcar na estreia da Seleção, ganhar do Real Madrid  no Bernabeu marcando dois gols. Mesmo nas atuações apagadas, sobretudo na Seleção, ele jamais recebeu críticas definitivas por aqui.

Cansei de ter que defender o garoto do meu amigo Fabio Bittencourt, corneta afiado, pedindo calma e tempo. Ontem, li que outro fã do Pato, Leonardo Bertozzi, ficou perto de jogar a toalha em seu blog na ESPN.

Pois, meu caro Fabio, é chegada a hora. Pato, aos 22 anos, está devendo muito mais do que promete. Ele já não merece a confiança que este blogueiro tanto colocou nele em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. 22 anos não é mais tão jovem. Vivemos num mundo cruel em que Messi tem 24 anos.

Meu caro Fábio, você tinha razão. E se em algum momento não tiver mais no futuro, agora teremos que engolir essa juntos.

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional, Seleção Brasileira Tags: , , , ,
04/12/2011 - 10:17

1982: Sócrates x URSS

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:(

Valeu, Doutor.

Obituário da BBC

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional, Videos Futebol Tags:
28/07/2011 - 12:15

Versão original do gol de Ronaldinho por baixo da barreira

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Este jogo é Barcelona 2 x 0 Werder Bremen, pela fase de grupos da Champions League em que o Barcelona defendia seu título e que perderia ainda nas oitavas, eliminado pelo Liverpool. Foi nesta partida, aos 13 minutos, que Ronaldinho marcou seu gol que repetiria na Vila na última quarta-feira. Veja…

Neste 5 de dezembro de 2006, Ronaldinho já estava em sua curva descendente de futebol. Depois do auge em maio daquele ano, quando ganhou a Champions League, não jogou nada na Copa de 2006 e, logo depois, ainda perderia o Mundial de Clubes para o Inter.

Ganso, personagem da barreira no jogo de ontem em Santos, em 5 de dezembro de 2006, tinha acabado de completar 17 anos. Deve ter visto pela TV.

Ou não…

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional, Videos Futebol Tags: , , , ,
31/03/2011 - 18:32

Brasil, o país dos (sete) laterais na Champions

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Por Maurício Targino

Vamos combinar que não tem, assim, um craque em CAPS LOCK brasileiro nesta Champions League. Daquele de parar o trânsito. Tem o Kaká. Bem… mas… deixa pra lá. Em compensação, tem um monte de gente boa, que joga para o time, que corre pra caramba e que merece jogar num dos oito melhores times do mundo.

Destaque para os laterais.

Na última Copa do Mundo, a gente só tinha destros. Os canhotos deixaram a desejar. Eis que nove meses após a fatídica partida contra a Holanda, às vésperas das quartas-de-final da Liga dos Campeões, nota-se que nada menos do que sete laterais brasucas integram os elencos de quatro das oito melhores equipes da Europa.

Maicon e Daniel Alves, os dois laterais-direitos de Dunga seguem como titulares absolutos de Inter de Milão e Barcelona, respectivamente. No time catalão, há ainda os laterais-esquerdos Maxwell (que deve assumir a titularidade com a saída de Abidal) e Adriano, “coringa” que no site da competição aparece como meia.

Ainda na lateral-esquerda, o Real Madrid tem o titularíssimo Marcelo, que para muitos deveria ter ido ao Mundial de 2010.

Fechando a lista de laterais, a dupla de gêmeos do Manchester United, Rafael e Fabio, direito e esquerdo respectivamente. Ambos atuaram em 5 das 8 partidas do Red Devils na competição e tudo leva a crer que terão um grande futuro na equipe de Alex Ferguson.

Três pela direita, quatro pela esquerda.

PS: Absolutamente TODOS os 8 melhores times da Champions contam com brasileiros em seus elencos.

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: ,
06/01/2010 - 12:18

Ano de Copa – ano de desastre no calendário

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Feliz ano velho, boleiros.

Parece que foi ontem.

A Libertadores de 2006 foi interrompida no meio das quartas-de-final devido à disputa da Copa do Mundo da Alemanha. O Internacional foi a Quito no dia 10 de maio enfrentar a LDU. Perdeu de 2 x 1 e teve que esperar 40 dias para poder dar o troco, no dia 19 de julho, quando Renteria, aos 42 minutos do segundo tempo, fez o 2 x 0 que selou de vez a vaga do Colorado para a semifinal.

Incômodo semelhante passou o São Paulo, que ainda teve que encarar uma disputa de pênaltis com o Estudiantes, após os 40 dias da primeira partida. Rogério Ceni e Mineiro, inclusive, ficaram estes 40 dias fora, pois estavam disputando a Copa do Mundo.

Mas ainda tem a cereja do bolo. O mais mambembe e ridículo dos momentos de amadorismo da história do calendário sul-americano que se tem notícia. Ricardo Oliveira, o craque de última hora da equipe do Morumbi, então emprestado ao São Paulo, jogou a primeira partida da decisão e, pasmem, teve que retornar à Europa antes do segundo jogo da final. É como se Messi ou Cristiano Ronaldo fossem impedidos de jogar a última final da Champions League entre Barcelona e Manchester United depois de disputar o torneio todo.

Bom. Nem gosto de lembrar. Essas coisas me desanimam.

Corta para 2010. Devem ter aprendido, certo?

Fon fon fon. Errado. Não aprenderam.

A Libertadores vai parar de novo em maio. E vai ter a sua final no dia 18 de agosto. Desde que o mundo é mundo, a gente sabe que em junho, a cada quatro anos, tem ‘só’ a Copa do Mundo. Não é coisa que precisa lembrar. E eu não estou aqui dando notícia exclusiva ao afirmar que já está marcado o mesmo evento para junho de 2014, 2018 e 2022. Tem gente que não marca férias, casamento, batizado e, se puder planejar, não deixa nascer filho em junho de Copa.

Em 2010, tem só gente grande, como se diz, na Libertadores do lado brasileiro. As três maiores torcidas do Brasil e mais os campeões Cruzeiro e Internacional. Com os argentinos fora, é barbada que vai ter Brasil nos jogos finais. Sem falar do Brasileirão, claro, que também não merecia parar por tanto tempo.

É tão esdrúxulo esfriar o ímpeto das torcidas no momento máximo de seus clubes (todo mundo sabe que se torce mais para clube do que seleção no Brasil) quanto seria humilhante para a Copa do Mundo, evento máximo, ter que dividir atenção com qualquer outra competição.

O ideal, claro, era fazer tudo a seu tempo. Acha difícil? É só ligar para a UEFA e perguntar como.

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22/12/2009 - 01:17

O locutor e o gol

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Escolher melhor jogador do ano ou melhor time da década é das coisas mais polêmicas que existe. Todos os votos são válidos. Não existe medida para emoção. Cada um sente como quiser e cada um escolhe a que quiser.

Gol mais bonito então, muito mais difícil. Eu vi gols da Segunda Divisão que poderiam figurar na lista dos mais da Fifa nesta segunda. O campeão foi um gol do Cristiano Ronaldo que, para mim, devo confessar, poderia muito bem ser o gol mais bonito do ano realmente. Sobretudo pelo fato de que eu assistia ao jogo naquele momento e o calor da jogada, a importância do gol e mais a narração na Espn (não me lembrarei do narrador) fazem todo um conjunto.

O gol que eu votaria, no entanto, seria o do Grafite. Não por ser brasileiro (patriotada não é comigo), mas sempre acho mais bonito um gol de técnica e/ou lances inesperados do que canhões para o gol. Mas, mais do que isso, a narração em inglês deste gol vale o show. O narrador, de tão abismado pelo lance, resolve prestar uma homenagem aos locutores brasileiros, narrando gol como se narra por aqui. Para quem foi pego de surpresa, sim, uma baita emoção.

Isso me lembrou (também juro que não sou saudosista) um momento de Careca, o grande camisa 9 do Brasil na década de 80. Momento dele e de Luciano do Valle. No Maracanã, na semifinal da final do Brasileiro de 1986, Careca fez uma pintura que se fosse nos dias de hoje, renderia uma indicação da Fifa para melhor gol do ano.

Careca, na cara do gol, podendo dar um bico para as redes do Maraca, inventou de encobrir o goleiro E o zagueiro de uma forma que Zidane não tentaria em final de Copa. Mas depois do toque por cima, ninguém sabia exatamente se a bola havia entrado ou não. Luciano do Valle, no auge da forma, em vez de gritar gol, gritou ‘espetacular’ e depois emendou ‘gênio’, numa daquelas narrações que faz menino de 10 anos nunca mais esquecer. Achei o vídeo com gol, narração e entrevista do Careca no youtube e, só por isso, já valeria o ano de 2009.

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07/12/2009 - 00:08

Drama e correria no Couto Pereira

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Quem me contou o abaixo ocorrido é adulto, tem 33 anos, capaz e praticante de boxe. Frequenta estádios eventualmente e não é nenhum marinheiro de primeira viagem em termos de futebol e suas confusões. Não tem, assim, motivos para exagerar no relato que me fez após estar no estádio Major Antonio Couto Pereira, no Alto da Glória, no último domingo depois do jogo Coritiba 1 x 1 Fluminense, que salvou o segundo e rebaixou o primeiro do Brasileirão 2009.

“O jogo acabou e não deu tempo das pessoas ‘sofrerem’. Geralmente quando você tem uma tristeza grande, você precisa chorar de tristeza, colocar para fora, sentir de verdade a perda. Mas foram apenas 30 segundos de choro de tristeza até o primeiro torcedor invadir o gramado. Logo virou choro de pânico. Crianças e mulheres desesperadas.

Vários torcedores invadiram o gramado e a parte onde eu estava começou a ficar agitada, tentando sair. Como as saídas estavam bloqueadas e tinha correria, a turma da arquibancada da rua Mauá foi para cima, o mais longe possível da confusão. Mas do lado de fora, a polícia de elite já estava acionada. E mandava tiros de efeito moral, para cima. Como a gente estava na parte alta do estádio, ficamos com medo e fomos ao chão. Centenas de homens, mulheres e crianças deitadas de bruços no chão do último andar do segundo anel do estádio. Parecia uma guerra. Crianças em pânico.

O helicóptero para resgatar feridos chegou e continuamos ilhados no Couto Pereira. Algumas mulheres desesperadas com seus filhos queriam correr em direção à saída. Eu e alguns torcedores que estavam perto de mim organizamos um cordão de isolamento humano improvisado pois se as pessoas corressem naquele momento seria uma tragédia. O pânico e a corrida desordenada certamente fariam torcedores serem empurrados ou pisoteados na direção das grades.

Conseguimos conter o ímpeto de fugir das pessoas. Nas rádios, os jornalistas mandavam todos ficarem no estádio pois lá fora era uma batalha campal. Ao mesmo tempo, policiais atiravam bombas de borracha na torcida organziada Império Alviverde e alguns fugiam para o nosso lado. Se correr o bicho pega se ficar o bicho come.

Depois de um tempo, resolvi que precisava ir embora. Fui sozinho. Quando saí do estádio na rua Mauá, vi a polícia vindo com bombas e armas. Na minha direção, uma multidão de torcedores correndo e vários policiais os seguindo. Sem saber exatamente o motivo, saí correndo. Como um bandido. Como se tivesse feito algo. Corri como nunca tinha corrido antes. Seis, sete quadras sem parar até chegar na rua José de Alencar, num local mais seguro. Os celulares não funcionavam, os táxis todos lotados. Nos prédios próximos, moradores abrigavam algumas pessoas que fugiam sem direção, como mulheres e idosos.”

O relato é impressionante apesar de não ser diferente de outras grandes confusões em estádios pelo Brasil. As primeiras notícias são de cerca de 20 feridos nos hospitais curitibanos. Alguns são baderneiros que invadiram o gramado. Lamento pelos policiais e por outros inocentes que, como a testemunha que fez o relato acima, poderiam ter se machucado sem ter nenhuma culpa.

Mas, sobretudo, temo pelas crianças. Não se machucaram aparentemente. Espero que não percam o amor por este esporte mas entendo totalmente se perderem.

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro Tags: ,
30/11/2009 - 12:05

Daniel Alves, Ashley Cole e … Vítor

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Eu não gosto do clichê de que ‘futebol se joga pelas pontas’. Pelo contrário, acho que o futebol mais bonito mesmo é pelo meio. Até pela dificuldade. Pelo meio, mais congestionado, mais difícil, o resultado é mais prazeroso. Momentos como quando Pelé e Coutinho, Romário e Bebeto ou Careca e Maradona entravam na área tabelando, na minha memória, são os mais lindos da história do futebol.

Mas nem todo mundo tem esse talento todo. E, por isso, para se ganhar um jogo contra times fechados, nada como os cantos. E como são poucos os atacantes que fazem boas jogadas pelas pontas, e menos ainda os volantes que chegam na frente, os laterais podem ser os grandes diferenciais dos times.

Nos três jogos que eu vi no domingo, três deles fizeram a diferença. Primeiro, Ashley Cole. Ex-Arsenal, era só tocar na bola que tomava a tradicional vaia no clássico. Mas o lateral do Chelsea, acostumado com a recepção, não ligou. Fez os dois cruzamentos para dois primeiros gols que colocaram o Chelsea ainda mais líder da Premier League. Cole cruzou as duas bolas entre o goleiro e a zaga, em curva, com precisão.

Daniel Alves já tinha feito um passe para o gol da vitória do Barcelona contra a Inter de Milão. Pedro (Pedroca, segundo um amiogo de Barcelona) ainda tentou perder o gol, mas não havia como. Dani não cruzou, passou, de cabeça levantada, por trás de Henry e toda a zaga. Um primor. Eis que no clássico contra o Real Madrid ele nem precisou ir ao fundo para dar outro passe no pé de Ibrahimovic. Dois passes de Dani Alves, duas vitórias fundamentais do Barcelona na temporada.

Para fechar o domingo e o caixão do São Paulo: Vítor. O lateral do Goiás teve um defeito apenas na partida, não ser canhoto para ser chamado por Dunga para a seleção. Participou de 3 dos quatro gols, sendo que fez um golaço, o mais importante da partida, pois naquele momento o São Paulo ainda estava melhor em campo e com vantagem.

Autor: - Categoria(s): Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: , , , , , , ,
07/09/2009 - 01:47

Obina é melhor do que Eduardo da Silva?

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O árbitro Cléber Welington Abade, de Palmeiras 2 x 1 Barueri, marcou um pênalti inexistente de Ralf em Obina, que garantiu a liderança do Brasileirão em mais esta rodada ao Palmeiras de Muricy. Veja:

O árbitro Manuel Enrique Mejuto Gonzalez, de Arsenal 3 x 1 Celtic, marcou um pênalti que não existiu que ajudou o Arsenal a seguir na Champions League, deixando de fora o tradicional time escocês. Veja:

As jogadas são muito parecidas. Dois brasileiros simularam dois pênaltis inexistentes que foram marcados e convertidos. Os julgamentos? Totalmente diferentes. Moralmente e judicialmente, diga-se.

No Brasil, o árbitro brasileiro, Cléber Abade, virou o vilão da rodada. O consenso é que trata-se de um ‘péssimo árbitro’, incapaz de apitar e faz parte da ‘horrorosa arbitragem brasileira’.

Obina não se jogou, apenas escorregou, mas ao cair já levantava os braços, inflamando a torcida e pressionando o juiz. Nenhum paladino da justiça reclamou de Obina. Jamais o atacante palmeirense enfrentará um tribunal ou uma crítica, além desta que você lê. Afinal, no Brasil, ser desonesto no ‘nível-Obina’ é aceitável e louvável. É ser esperto ou malandro. Bobo é o juiz, que cai nessa. Abade certamente será levado a mais uma geladeira e Obina vai a alguma mesa redonda dizer o quanto ele é agora feliz no Palmeiras.

Na Europa, o árbitro Manuel Enrique Mejuto Gonzalez foi considerado tão ou mais vítima do que o goleiro Artur Boruc, que desesperou-se com razão ao ver a marcação do juiz. Ninguém abriu a boca para falar do árbitro. Só existe um culpado na história. Chama-se Eduardo da Silva, aquele menino sofrido que teve a perna dilacerada por um zagueiro grosso há tão pouco tempo mas que, nem por isso, no Reino Unido, tem direito de dar uma de malandrão e enganar as pessoas com seu teatro cafona. Recebeu dois jogos de suspensão da UEFA na própria Champions e certeza de vaias por onde passar.

Eu sei que o futebol tem as suas picardias e maldades. Não gosto, aliás, da onda politicamente correta. Mas, convenhamos, a crise ética no Brasil passa pelo futebol. O vilão é o herói. O juizão é punido por não pressupor a malandragem. E o malandro sai bem na fita.

O pessoal do tribunal deveria punir Obina, como na Inglaterra fizeram com Eduardo. Quem sabe, assim, aprendemos.

Sobre a crise ética do futebol brasileiro, leia também neste blog: Senhores do tribunal, punam Domingos e não Diego Souza

Autor: - Categoria(s): Brasileirão, Futebol Brasileiro, Futebol Internacional Tags: , , , ,
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