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Arquivo de abril, 2011

11/04/2011 - 13:01

Exclusivo: O maior escândalo futebolístico da história de Ocotepeque

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Por Seu José

Na cidade de Ocotepeque, oeste de Honduras, nasceu Riubelino Jacinto Gutierrez. Seu pai, agricultor aficionado por futebol, ao descobrir que teria um filho, prontamente decidiu que iria homenagear dois de seus maiores ídolos.

Jacinto vem de Giacinto Facchetti, jogador italiano considerado um dos maiores laterais esquerdos da história. O velho Gutierrez admirava Giacinto por duas razões especiais: sua lealdade (Giacinto jogou apenas no Internazionale de Milão e teve sua camisa (3) aposentada pela equipe); e seu desempenho na semifinal da copa de 1970 contra a Alemanha.

Riubelino vem de Rivelino. Jogador brasileiro que dispensa comentários e por isso não os farei, com exceção da peculiaridade relacionada à grafia do nome. Ao fazer o registro de nascimento de seu filho, o velho Gutierrez se deparou com um funcionário pouco hábil nas artes futebolísticas e alfabéticas.

— Olá. Este é meu filho e gostaria de registrá-lo, disse Gutierrez.

— Quando ele nasceu?

— Ontem. Doze de julho.

— E como será o nome?

— Rivelino Jacinto Gutierrez.

— Certo. “Con ‘be’ o con ‘uve’?

— Con ‘uve’.

— Con ‘u’ (pausa) ‘be’?

— Si. Con ‘uve’.

E assim, do sonho de unir em apenas um craque a determinação do italiano e a habilidade do brasileiro, nasceu Riubelino Jacinto Gutierrez, o responsável pelo maior escândalo futebolístico de Ocotepeque.

Logo que Riubelino começou a dar seus primeiros passos, o velho Gutierrez lhe comprou uma bola de capotão. Até os seis anos pai e filho apenas brincavam: faziam embaixadas, pequenos toques, lançamentos e fracos chutes ao gol. Quando Riubelino fez 7 anos, ganhou de seu pai uma chuteira novinha, uma caneleira e um meião e, a partir desse dia, acabaram-se as brincadeiras e começaram os trabalhos.

O velho Gutierrez era obcecado por transformar seu filho em um craque de futebol, e não media esforços para ajudá-lo no que fosse possível. Todos os dias pai treinava o filho por dois períodos: manhã e noite. Começava com uma corrida de 40 minutos, seguido por uma série de abdominais e flexões. A última hora era destinada ao treinamento com bola, aos fundamentos do futebol, cabeceios, dribles, cruzamentos, cobranças de falta e chutes ao gol. Percebia-se, porém, que mesmo Riubelino sendo ainda uma criança, faltavam-lhe as habilidades necessárias. Ele precisava de muito esforço e treinamento para ter um desempenho mediano. No máximo, seu velho pai já percebia, ele seria um jogador bem preparado fisicamente, talvez mais útil como um robusto marcador do que como um craque goleador.

De qualquer forma, os trabalhos continuaram e, aos 12 anos, Riubelino participou de uma peneira para as categorias de base de um time da 3° divisão de Ocotepeque. Não fez gol, não deu dribles, mas deu belos passes e fez boas distribuições de bola no meio-campo. Correu mais do que todo mundo. O treinador viu, gostou e assim Riubelino havia dado oficialmente o primeiro passo para se tornar um ídolo do futebol.

Riubelino cresceu e conseguiu permanecer no time, mas seu pai estava correto: ele não era bom o suficiente e nunca se tornaria um astro. Sabia jogar bola, mas não o suficiente para chamar a atenção de algum grande time da capital Hondurenha. O salário recebido (5 mil lempiras) mal dava para seu sustento, e quase todos os dias Riubelino ainda tinha que ajudar seu pai na lavoura. Na época, uma lempira valia aproximadamente 5 centavos de dólares americanos.

Desiludido com o esporte e com a vida, Riubelino decidiu apelar para iniquidade. Fato é que, ao contrário do que todo mundo pensa, não é Las Vegas a capital mundial do jogo. O lugar onde mais se aposta no mundo (proporcionalmente) é a cidade Ocotepeque, terra natal de Riubelino Jacinto Gutierrez.

Jogatinas dentro dos estádios (e fora deles) não eram permitidas, porém os ocotepequenses, além de ignorar a proibição, desenvolveram um jeito bastante peculiar para aumentar a quantidade de apostas e sair da mesmice. Eles ficaram cansados da velha fórmula “escolha o vencedor” – “escolha o placar”. A sandice compartilhada por quase todos os frequentadores dos estádios era a seguinte: eles apostavam em tudo. Absolutamente tudo. Não havia regras. Cada apostador poderia inventar ou lembrar algum fato digno de aposta e assim lançar um desafio aos seus vizinhos de arquibancada. Os seguintes temas estavam entre os mais comuns: número de laterais (no total e/ou para cada time), número de escanteios (no total e/ou para cada time), número de faltas, número de cabeçadas, número de cartões amarelos, quem levaria os cartões, quantas vezes o gandula iria devolver a bola, qual seria o terceiro jogador a chutar em gol com a perna esquerda e assim por diante. Além disso, havia variações temporais, ou seja, alguém poderia lançar a aposta para os próximos 10 ou 15 minutos, não sendo necessário esperar pelo fim do jogo.

Com 25 anos, Riubelino foi procurado por um grupo formado pelos maiores apostadores e ofereceu seus serviços dentro de campo. O acordo era simples: antes de cada jogo o grupo informava Riubelino das principais apostas que seriam lançadas a fim de que ele pudesse “desempenhar seu papel” papel durante a partida. Pelos préstimos Riubelino cobrava 30% sobre o valor das apostas, o que dava, em média, duas mil lempiras por jogo. Riubelino, cansado da lavoura e de sua vida como um todo, aceitou.

Nos primeiros 3 anos da vigência do acordo, Riubelino atuou em aproximadamente 90 jogos. Assisti-lo em ação, dizem, era um espetáculo à parte. Ele até tentava disfarçar suas intenções, mas fatalmente chutava as bolas desnecessariamente para a lateral, cabeceava bolas que vinham rasteiras, fazia embaixadinhas no meio do jogo, dava centenas de toques de calcanhar e assim por diante. O registro mais escabroso que se tem notícia foi um dia que, para uma saída de bola no início de uma partida, Riubelino caiu de quatro e, engatinhando em direção à bola, usou a cabeça. Porém, verdade seja dita e é bom que se registre: nosso herói tinha caráter. Ele não fazia nada que pudesse afetar diretamente o resultado de um jogo. Com isso ele jamais concordou. Nunca fez um gol contra ou provocou uma expulsão desnecessária.

A casa caiu para Riubelino no quarto ano do golpe. Grupos de apostadores não beneficiados com o festim diabólico, desconfiados do desempenho de Riubelino durante os jogos, passaram a segui-lo e flagraram-no em uma reunião com os apostadores envolvidos no esquema. Teve tiroteio, golpes de facão, soco, pulo e grito. Ninguém morreu, mas a polícia chegou, levou todo mundo para a delegacia e, a partir daí, a história de Riubelino, ex-futuro craque futebolístico, começou a ser revelada para o mundo.

“De esperança local para vergonha mundial”, esse foi o título do principal jornal de Ocotepeque quando as investigações foram concluídas. A reportagem continuava na linha “Jovem promessa do futebol local se envolve com máfia das apostas e causa um rombo de mais de sete milhões de lempiras nos cofres públicos. O Ministério Público de Honduras está investigando Riubelino Jacinto Gutierrez por fraude no imposto de renda, formação de quadrilha e manipulação de resultados em disputas esportivas. Procurado por nossos jornalistas, Riubelino…”.

E assim, depois de conturbado julgamento, lá foi nosso anti-herói para a cadeia, sem jamais ter influenciado diretamente um resultado. Nunca fez corpo mole, nunca fez um gol contra e nunca forçou um cartão amarelo ou vermelho.

Riubelino foi condenado a dois anos de prisão e cumpriu a pena sem ter recebido sequer uma visita de seu pai (que sumiu da cidade). O tempo passou vagarosamente e Ocotepeque aos poucos foi voltando ao normal. Os estádios de futebol passaram a ter uma maior fiscalização com o intuito de proibir as ações dos apostadores (o que não adiantou nada). No dia em que saiu da cadeia, Riubelino ainda estava desolado, sem esperanças e acima de tudo envergonhado, mas se surpreendeu ao encontrar um jornalista lhe esperando.

— Bom dia. Meu nome é Francisco e nosso jornal está interessado na sua história. Estou com um motorista aqui e gostaria de saber se você quer ir comigo até Tegucigalpa a fim de que a gente possa fazer uma reportagem contando tudo que aconteceu.

Riubelino foi, mas nunca voltou. Ou melhor, morreu na volta. No dia que a matéria foi publicada seu ônibus caiu de uma ribanceira enquanto retornava a Ocotepeque.

A história de Riubelino fez sucesso em toda Honduras e, até hoje, a expressão “bater um Jacinto” é usada como gíria de “fazer uma aposta”, tirar par ou ímpar, e coisas do tipo.

Nota do editor: Seu José, autor do texto, tem um blog (http://www.seujose.com) e passará a contribuir com crônicas para o BlogdeBola


Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional Tags: ,
08/04/2011 - 10:32

E eu achei que tava brincando…

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Não tem jeito. Quase tudo nesse mundo já foi inventado. Há dois ou três posts, eu falei que faltava inventar uma chuteira que fizesse o Neymar se jogar menos. Parece que não falta mais.

Pode soar meio papagaiada ainda, mas já é um começo. Este cara abaixo está desenvolvendo este produto que, colocado na canela, mede, primeiro, se algum jogador está próximo (via sensor). Mas apenas se ele for tocado, um alarme irá soar.

Ou seja, teoricamente pode detectar que, sim, um jogador está chegando na marcação mas, nem por isso, o que tem a bola foi tocado. Bom, veja você mesmo o professor Pardal explicando (em inglês):

Autor: - Categoria(s): Videos Futebol Tags: ,
05/04/2011 - 20:06

Chuta, Casillas

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Todo mundo viu que o Casillas praticamente não tocou na bola na humilhante derrota do Tottenham para o Real Madrid por 4 x 0.

Mas aqui no BlogdeBola a gente viu … e não esquece, o grande momento do goleiraço na partida….

Dá-lhe Carbonero para consolar…

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional, Videos Futebol Tags: , , ,
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