Publicidade

Publicidade
14/10/2009 - 22:21

Uma noite em Wembley

Compartilhe: Twitter

– Os portões do estádio de Wembley ainda estão fechados quando o locutor oficial fala: ‘Este é um jogo que corre de acordo com as regras da FIFA e, por isso, não haverá venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio. Sentimos muito.’

– Mais ou menos assim, pedindo desculpas, os portões do novo estádio Wembley, casa da seleção inglesa de futebol, se abriram para a última partida válida pelas Eliminatórias, contra a Bielo-Rússia.

– Um estádio impecável. Coberto para todos os torcedores (descoberto apenas no gramado), com cadeiras numeradas e capacidade para 90 mil pagantes. Acesso fácil, metrô tanto da Jubilee como Metropolitan lines.

– Dentro, propaganda intensa da campanha da Inglaterra para sediar a Copa de 2018. No telão, o tempo de jogo, o replay das jogadas, e os melhores momentos no intervalo. O futebol como ele deveria ser no estádio (ninguém perde nada).

– Sem álcool, mas com apostas. Legais, diga-se. Ao lado dos belos sanduiches (comi um cheeseburguer, batatas e refri por 7 libras – calcula aí que tô com preguiça), vários quiosques da Betfred. Como eu vou a fundo na blogagem, resolvi colocar 5 libras que Rio Ferdinand (criticado a semana toda) marcaria o primeiro gol. Calma que eu posso explicar. Essa aposta pagava 25 libras pra 1 libra apostada. Mas tinham várias outras, como a trivial quem vence o jogo. Ou qual será o placar. E as filas para jogar são maiores do que as para comer sanduíche.

– Enquanto isso, no som ambiente, claro, rock e pop. Do Killers do Muricy ao Michael Jackson. No telão, Noel Gallagher fala que você deveria jogar futebol. Sim, a FA, Associação de Futebol da Inglaterra, faz propaganda do esporte. E todos eles divulgam o amistoso contra o Brasil em novembro, ‘number one team in the world’.

O jogo: Inglaterra classificada para a Copa de 2010. Bielo-Rússia. Bem, a Bielo-Rússia, nunca fez mal a ninguém… English Team sem Rooney e Gerrard, seus dois principais jogadores. Mas com os locais do Chelsea Lampard e Terry, com o ameaçado Rio Ferdinand e com vários outros precisando mostrar serviço para Capello, como Barry, Agbonlahor e Crouch. A escalação, com o áudio oficial do estádio, aqui. E o hino do Jenson Button e do Lewis Hamilton, cantado pelo estádio todo, em outro áudio, aqui.

– E foi exatamente o trio que fez o primeiro gol. Passe do primeiro para o segundo que cruzou para o terceiro dar um carrinho e marcar. Perdi 5 pounds, mas vi a jogada mais legal do jogo.

– No banco, a sombra de David Beckham. No banco, exatamente, não. Capello mandou Becks aquecer aos 15 do primeiro tempo. Ele passou o primeiro tempo e o intervalo inteiro aquecendo. E… os 13 minutos iniciais do segundo tempo até entrar no lugar de Lennon. Deve ser o novo recorde (inglês) de tempo de aquecimento.

– Entra Beckham, ovacionado, pega na bola pela primeira vez e dá o passe para o segundo gol de Wright-Phillips. E, depois, um show de toques de bola refinados dele. O torcedor folclórico ao meu lado diz, impressionado e desanimado ao mesmo tempo, bem do jeito inglês, pela classe do jogador: ‘É triste, mas ele é o que temos de melhor ainda. Precisamos dele. É difícil admitir. Beckham, mais tarde, seria escolhido o jogador da partida. Por 50 minutos de aquecimento e 30 minutos de jogo. Impecável em ambos.

– Ainda saiu um terceiro gol, de Crouch, que vai acabar levando uma vaguinha de Capello assim. Capello que, em Wembley, fiuca numa área técnica solitária, longe do banco e dos assistentes. O terceiro gol fez a alegria do não lotado Wembley que recebeu ‘apenas’ 76897 pagantes (setenta e seis mil, oitocentos e noventa e sete). Aliás, detalhe, talvez pela classificação antecipada, tinha ingresso na semana do jogo para vender no site oficial (thefa.com/tickets) e retirar nas bilheterias.

– Segundo o policial, dos 77 mil (só somar os jogadores e a comissão técnica), mais ou menos metade iria embora de metrô (tube). Todos na mesma estação (Wembley Park), inclusive este blogueiro. E tudo correu na maior calmaria, com policias gentis, montados, pendindo calma que logo todos embarcariam nos trens extras enviados ao estádio. Meia hora depois do apito final, cerca de 22h30, eu já estava em casa (Wembley não é exatamente perto). Que horas começam os jogos da Globo no Brasil mesmo?

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional Tags: , , , , ,

Ver todas as notas

31 comentários para “Uma noite em Wembley”

  1. simone ribeiro disse:

    mautex, que experiencia incrivel!!!!. estive no GIANT wembley em agosto!

    veraozao. o guia do estadio era scouser ( liverpool fan, hilario) nao tinha jogo do english team mas toquei na F.A cup!!! blimey!

    inesquecivel. period
    milner jogou bem? up the villa!!!

  2. E pensar que esses caras (os ingleses) foram banidos de competições européias há cerca de vinte anos atrás… e hoje fazem o futebol mais organizado do mundo. Sem birita, mas organizado.

  3. Lu Castro disse:

    Igualzinho aqui na França…pq lá no Brasil a coisa é muuuito mais organizada, né? hihihihi

  4. Gessé Borges disse:

    Será que algum dia o povo brasileiro terá um nível de educação e organização como o do povo inglês?!?!

  5. […] Aqui, a escalação dos Three Lions gravada em Wembley pelo lucky bastard Maurício Teixeira, nosso colega aqui do iG que assistiu a partida in loco. E aqui para mais detalhes no Blog de Bola. […]

  6. Mudar começando pelos estádios!!! Lugar garantido no assento, alimentação descente , e banir de vez esse lance de organizada e ingresso muito barato!!!
    Aqui em Portugal, nós somos pobres em relação o resto da europa, mas mesmo assim os ingressos são comparáveis ao resto do continente, do tipo, se quiser ver espetáculo,ou paga ou fica em casa.Infelizmente tende ser assim!!!

  7. GIL disse:

    Igual no Brasil? Só se mandar prender e proibir (para sempre) os baderneiros de irem ao Estádio. Lei Seca por vinte e quatro horas antes do jogo. Reforma dos Estádios urgente. Talvez cheguemos a esse nível. Lembrem-se que alguns anos atrás existiam os hooligans (que foram banidos)

  8. sidney disse:

    SENSACIONAL. Que saudades!!!

  9. ra disse:

    Fantastico, deveriam demolir o Maracana e reconstruir, quero ver depois que passar copa e olimpiadas se vão ser feitas as reformas anuais exigidas para um estadio de mais de 50 anos!Lugar numerado no Brasil pode até existir, mas não existe lei nem segurança, se vc implicar com alguém por causa de lugar pode estar assinando sua sentença de morte e o pior com a certeza de que o criminoso saira impune!

  10. martin disse:

    No estadio do atletico paranaense é um outro nível, limpeza, banheiros, gente decente e pouco baderneiro!

  11. Frank disse:

    Amigo,

    Isso jamais vai acontecer no Brasil, nem na copa, que na minha modesta opinião, será um grande fracasso, não de jogo, mas, de organização. Tirando a fórmula 1 muito bem organizada por sinal, o nosso país não tem condições nem de sediar campeonato mundial de botões.

  12. Antônio disse:

    Muito boa a sua experiência. Melhor ainda, contá-la detalhadamente para nós.
    Quem sabe, chegamos a este ponto um dia, metrô na porta, trens extras, lugares numerados, sem torcidas uniformizadas, horário dos jogos decentes (falar nisso, mais uma para colocar na cota da Rede Globo, como desserviço para o país) e outras mais.
    Acredito que gostamos de futebol tanto quanto eles, mas precisamos melhorar a nossa educação e a cultura. Isto tem que partir do próprio povo, num movimento de baixo para cima. Se depender dos nossos dirigentes de plantão, tudo continuará como dantes.
    Desculpe o desabafo. Um grande abraço.

  13. Lu Castro disse:

    “GIL disse: Igual no Brasil? ”
    Ironia caro Gil! Ironia
    =D

  14. Caro Maurício, realmente assistir uma partida, ou qualquer outro evento, numa grande e moderna arena americana ou européia, é uma experiência inesquecível e inimaginável, pelo menos para os pobres torcedores/sofredores tupiniquins. Mas como tudo na vida, nada é perfeito. Wembley, apesar de proporcionar uma experiência fantástica para os frequentadores, é um fracasso e um equívoco como modelo de negócio. Um elefante branco que continuará proporcionando dezenas de milhões de libras de prejuízo anual aos cofres municipais, e sem soluções à curto ou médio prazos. um abraço.

  15. […] This post was mentioned on Twitter by Último Segundo and mautex, Flavio Gomes. Flavio Gomes said: Leiam, demais! RT @ultimosegundo: RT @mautex Uma noite em Wembley http://bit.ly/EED1g […]

  16. Daniel Mendes disse:

    Beckham nunca é hj o q a Inglaterra tem de melhor, o problema é q ele é um ícone, aí acaba existindo os exageiros(como existem com o Raúl no Real). Eu acho q Gerrard já superou o Beckham na carreira há muito tempo(nâo em títulos mas em futebol de qualidade) . Se eu fosse vc iria dizer pro torcedor q ele é um burrã influenciado pela mídia q num sabe nda de futebol. Ps:ainda convocaria esse metrossexual spice girl para fcar no banco

  17. […] fala: ‘Este é um jogo que corre de acordo com as regras da FIFA e, por. fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

  18. Marcos disse:

    Não acho que os torcedores ingleses sejam mais educados que os torcedores brasileiro. Não vamos nos esquecer dos hooligans. O que tem na Inglaterra e que, infelizmente, não tem no Brasil, é organização. Isso sim nos faz muita falta e seria muito bom para o futebol brasileiro, organização e estrutura. Os jogos da noite também deveriam começar um pouco mais cebo. Penso que 20 hs é um bom horário. Mas a Globo manda e desmanda nos horários de nossos campeonatos, sempre se preocupando antes de tudo com sua grade de programação. É uma pena.

  19. Maranhas disse:

    O cara tá muito adaptado. “Meia hora depois eu estava EM CASA.”

  20. Raul Torres disse:

    A experiência deve ser alucinante e prazerosa demais. Bateu uma invejinha boa….rs.

    Mas eu li o pessoal nos comentários que duvidam que Brasil isso vá acontecer um dia…esse tipo de organização, para comportar 77 mil pessoas é difícil em qualquer lugar do mundo. Vale lembrar que apesar de diferenças culturais, o ser humano é um só e, querendo ou não, tem seus instintos comandado pela paixão e fanatismo, no caso do futebol.

    Lembrem-se que esse jogo envolvia a Inglaterra contra ninguem. A porcentagem dos torcedores adversários devia ser pífia, ou seja, não haviam concorrentes na torcida para se criar um clima de guerra.

    Se você for assistir qualquer jogo do campeona inglês, certamente essa calmaria não existirá. Fora dos estádio, em bairros no entorno, acontecem duelos muito mais violentos e intencionais que até aqui no Brasil.

    Vamos parar de achar que só aqui temos problemas, não é mesmo? Que diga a familia do menino brasileiro que foi morto no metro da tão educada e civilizado London.

    Abs amigos!
    http://nopiquedabola.wordpress.com/

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo