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Arquivo de outubro, 2009

26/10/2009 - 17:08

O drama de ser Atlético de Madrid

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É um time grande mas não ganha título algum desde 1996. O estádio fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da mesma cidade, ganha tudo sempre, inclusive deles. Tem coisas que realmente só acontecem com… o Atlético de Madrid (seguimos com o D).

E mais uma delas aconteceu na tarde de sábado em que fui conhecer o estádio Vicente Calderón, no sul da capital espanhola, conhecido setor de operários da cidade, casa do centenário clube para acompanhar Aleti (como eles dizem) contra o Mallorca.

Na semana que antecedeu a partida, o Aleti terminou a rodada flertando com a zona de rebaixamento, perdeu de 4 do Chelsea na quarta-feira pela Champions League e viu seu treinador Abel ser demitido.

Assim cheguei ao Calderón. Um clima tenso e ao mesmo tempo um ambiente completamente diferente do Santiago Bernabeu. Torcedores com mais caras de torcedores. Parecia menos uma ópera e mais um jogo de futebol. Lembrei mais do Brasil. Os torcedores dizem que o Atletico é mais um sentimento do que um time. E que os madrilenhos gostam de títulos, mas não se importam ou sofrem pelo time como eles. Impossível não simpatizar com a causa e com o sofrimento destes torcedores. Os ‘underdogs’ sempre têm o seu charme.

calderon

Lembram com carinho do Juninho Paulista e o carrinho que tomou do Salgado, gostam muito, mas muito mesmo do Luiz Pereira. Mas ídolo mesmo deles é gente como Paulo Futre, Pantic, Fernando Torres claro e… e….  Simeone! Sim, o argentino era o rei da botinada no último grande ano da história do clube.

simeone

No dia da partida mesmo, duas horas antes, comprei o ingresso na bilheteria do estádio (para os que me escreveram pedindo dicas de como conseguir ingressos). De lá, fui encontrar no ‘El Doblete’, bar que fica em volta do estádio, Laura, espanhola rojiblanca fanática, que trabalha na IBM em Madri, e mostraria um pouco do encanto de ser Aleti.

Do Doblete, que tem esse nome em homenagem a temporada 95/96, quando o time ganhou a Liga e a Copa do Rei, fomos encontrar o namorado dela e seus amigos, todos membros da Frente Atletico, a maior torcida organizada do clube. Todos com ingresso para temporada há mais de 10 anos. Eles se reuniam numa espécie de pátio de um condomínio conversando e tomando seus tragos antes de entrar no estádio. No caso dos amigos da minha ‘guia’ uma garrafa de scotch em 5 pessoas com um refrigerante.

doblete

Lá eles conversam sobre o passado e o presente. Combinam os gritos e se vestem com camisas ‘antimadridistas’. Um usava além do cachecol do Aleti, um do Sporting Gijon, clube que enfrentaria o Real Madrid (e empatou em 0 x 0), no mesmo dia.

“Não mais vou aos clássicos com o Madrid”, dizia Laura. “Primeiro por ter que correr da polícia, pela violência e também porque sempre nos ganham e Raul, que odiamos por aqui, sempre marca.”

Depois de seca a garrafa de uísque da rapaziada, vamos para o campo. Cheio também. Oitenta porcento da lotação seguramente. E lá dentro, ao começar o jogo, vejo algo que ainda não tinha visto no futebol. Um protesto silencioso. Para reclamar da equipe, a torcida do Aleti comandada pela Frente Atletico simplesmente ficou calada todo o primeiro tempo. Um silêncio ensurdecedor, diria o antigo cronista. Parece um estádio vazio, mas com mais de 40 mil pessoas presentes. Apenas uma faixa com os dizeres:

‘Un club sin rumbo, és como una grada sin animación’.

Curiosamente, não teve gol no primeiro tempo. Teve sim um pênalti que acabou por expulsar um jogador do Mallorca. Forlan, que tem como grito da torcida para ele U-RU-GUAIO, bateu e… chutou para fora.

Aguero horrível. Forlan irreconhecível. Maxi Rodriguez apagado. Simão sem a inspiração de sempre e o primeiro tempo termina 0 x 0. Aliás, como um time que tem esses quatro jogadores não decola, não é mesmo?

Na volta, mais um pënalti, mais um jogador expulso e pronto: Forlan abre o placar na cobrança. Dois a menos no Mallorca. Agora vai.

E nada. Vai é ter pressão do Mallorca, com Webo e Borja Valero gigantes, correndo por 12. Tome vaias, é claro. Para o time, para o técnico interino, para a diretoria. Para todos. Alguns poucos, diga-se, abusam em comentários racistas, sobretudo para o brasileiro Cleber Santana, que entrou no segundo tempo. ‘Corre, negro’, ‘vamos, negro’, pipocavam aqui e ali por alguns poucos torcedores.

Outro brasileiro, Paulo Assunção, lançado no Palmeiras, este sim tem mais moral. Em tempos de crise, porém, todo mundo vai mal. E assim seguiu o jogo, que tinha mesmo cara de tragédia.

Um goleiro das divisões de base, inseguro, um time que já tinha colocado Reyes e Cleber Santana em campo e nem contra 9 podia marcar. Só poderia terminar como terminou. Um gol milagroso de Borja Valero aos 45 minutos, num frango do goleiro De Gea, que fez os 9 de Mallorca, metade com cãimbra, sair aplaudido do Calderón pela torcida rojiblanca.

O time terminou a rodada a uma posição acima da zona de rebaixamento. A torcida nas ruas protestou e a polícia teve que intervir depois. Mais um capítulo do drama que é ser torcedor do Atlético de Madrid.

É um time grande mas não ganha título algum desde 1995. O

estádio fica na Rua dos Melancólicos. O maior rival, da

mesma cidade, ganha tudo sempre, incusive deles. Tem coisas

que realmente só acontecem com… o Atletico de Madrid.

E mais uma delas aconteceu na tarde de sábado em que fui

conhecer o mitológico estádio Vicente Calderón, no sul da

capital espanhola, conhecido setor de operários da cidade,

para acompanhar Aleti (como eles dizem) contra o fraco

Mallorca.

Na semana que antecedeu a partida, o Aleti terminou a

rodada flertando com a zona de rebaixamento, perdeu de 4 do

Chelsea na quarta-feira pela Champions League e viu seu

treinador Abel ser demitido.

Assim cheguei ao Calderón. Um clima tenso e ao mesmo tempo

um ambiente completamente diferente do Santiago Bernabeu.

Torcedores com mais caras de torcedores. Parecia menos uma

ópera e mais um jogo de futebol. Lembrei mais do Brasil. Os

torcedores dizem que o Atletico é mais um sentimento do que

um time. E que os madrilenhos gostam de títulos, mas não se

importam ou sofrem pelo time como eles. Impossível não

simpatizar com a causa e com o sofrimento destes

torcedores. Os ‘underdogs’ sempre têm o seu charme.

No dia da partida mesmo, duas horas antes, comprei o

ingresso na bilheteria do estádio (para os muitos que me

escreveram pedindo dicas de como conseguir ingressos). De

lá, fui encontrar no ‘El Doblete’, bar que fica em volta do

estádio, Laura, espanhola rojiblanca fanática, que trabalha

na IBM em Madri, e mostraria um pouco do encanto de ser

Aleti.

Do Doblete, que tem esse nome em homenagem a temporada

95/96, quando o time ganhou a Liga e a Copa do Rei, fomos

encontrar o seu namorado e seus amigos, todos membros da

Frente Atletico, a maior torcida organizada do clube.

Ficavam muitos torcedores numa praça, conversando e tomando

seus tragos antes de entrar no estádio. No caso dos amigos

da minha ‘guia informal’ uma garrafa de scotch em 5 pessoas

ajudado por um refrigerante.

Lá eles conversam sobre o passado e o presente. Combinam os

gritos e vestem com camisas ‘antimadridistas’. Um usava

além do cachecol do Aleti, um do Sporting Gijon, clube que

enfrentaria o Real Madrid (e empatou em 0 x 0), no mesmo

dia.

“Não vou aos clássicos com o Madrid”, dizia Laura.

“Primeiro por ter que correr da polícia, pela violência e

também porque sempre nos ganham e Raul, que odiamos por

aqui, sempre marca.”

Depois de seca a garrafa de uísque da rapaziada, vamos para

o campo. Cheio também. Oitenta porcento da lotação

seguramente. E lá dentro, ao começar o jogo, vejo algo que

ainda não tinha visto no futebol. Um protesto silencioso.

Para reclamar da equipe, a torcida do Aleti, comandada pela

Frente Atletico, simplesmente ficou calada todo o primeiro

tempo. Um silêncio ensurdecedor, diria o antigo cronista.

Apenas uma faixa com os dizeres:

‘Un club sin rumbo, és como una grada sin animación’.

Curiosamente, não teve gol no primeiro tempo. Teve sim um

pênalti que acabou por expulsar um jogador do Mallorca.

Forlan, que tem como grito da torcida para ele U-RU-GUAIO,

bateu e… chutou para fora.

Aguero horrível. Forlan irreconhecível. Max Rodrigues

apagado. Simão sem a inspiração de sempre e o primeiro

tempo termina 0 x 0. Aliás, como um time que tem esses

quatro jogadores não decola, não é mesmo?

Na volta, mais um pënalti, mais um jogador expulso e

pronto: Forlan abre o placar na cobrança. Dois a menos no

Mallorca. Agora vai.

E nada. Vai é pressão do Mallorca, com Webo e Borja Valero

gigantes, correndo por 12. Tome vaias, é claro. Para o

time, para o técnico interino, para a diretoria. Para

todos. Alguns poucos, diga-se, abusam em comentários

racistas, sobretudo para o brasileiro Cleber Santana, que

entra no segndo tempo. ‘Corre, negro’, ‘vamos, negro’,

pipocam aqui e ali por alguns poucos torcedores.

Outro brasileiro, Paulo Assunção, lançado no Palmeiras,

este sim tem mais moral. Em tempos de crise, porém, todo

mundo vai mal. E assim seguiu o jogo, que tinha mesmo cara

de tragédia.

Um goleiro das divisões de base, inseguro, um time que já

tinha colocado Reyes e Clebes Santana em campo e nem contra

9 podia marcar. Só poderia terminar como terminou. Um gol

milagroso de Borja Valero aos 45 minutos, num frango do

goleiro De Gea, que fez os 9 de Mallorca, metade com

cãimbra, sair aplaudido do Calderón pela torcida

rojiblanca.

O time terminou a rodada a uma posição acima da zona de

rebaixamento. E a torcida nas ruas protestou e a polícia

teve que intervir depois. Mais um capítulo do drama que é

ser torcedor do Atletico de Madrid.

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25/10/2009 - 11:49

Maradona: vestindo a camisa

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Olha só a camiseta que eu cruzei em Madrid (seguindo com o D).

Autor: - Categoria(s): Futebol Internacional Tags: , ,
22/10/2009 - 15:52

Ingresso, ambiente e jogo: uma trilogia no Santiago Bernabeu

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O ingresso

A primeira história deste espetacular Real Madrid 2 x 3 Milan é a do ingresso. Um amigo em Madri tem uma amiga que tem uma terceira amiga. A amiga número 3 é proprietária de 3 preciosidades. Três cadeiras de abono, como aqui na Espanha chamam, para a temporada, que vêm sido passadas de pai para filho ou, no caso delas, de mãe para filha. Afinal os três ingressos estão no nome da filha, da mãe e da avó.

As três entradas não poderiam ser mais nobres. Ficam na oitava fileira a partir do escanteio do lado direito onde Dida tomou um frango no primeiro tempo e Casillas tomou outros dois no segundo. A chamada Lateral Este Grada Baja.

Você fica no nível do gramado e quando Ronaldinho ou Granero vinham bater o escanteio, dava para interagir com eles. Ronaldinho, por exemplo, irônico, mandava o seu costumeiro Hang Loose com o sorriso trade mark para as vaias e gritos de ‘almôndega’, ‘baladeiro’ e ‘bêbado’ que recebia.

Para ter estes ingressos, o trio (filha, mãe e avó), tem a preferência de todos os anos comprar a mesma cadeira, que pode ser passada de pai para filho. Compram sempre, claro, até porque o preço não é absurdo (a temporada custa cerca de 800 euros por cadeira, com direito a ver todos os jogos em casa, de Liga, Copa do Rei, Champions e o que mais rolar). O duro não é o preço, mas sim a fila. Para ter o direito de comprar ingressos para a temporada como estes, a fila de espera pode levar de 10 a 20 anos.

E como um deles foi parar na minha mão? Bem, a avó já não está mais tão disposta a ver jogos. E desde que Florentino Perez assumiu, com a zaga ano após ano péssima, o médico decidiu por vetar alguns jogos. A mãe estava fora da cidade por algum motivo. E a filha resolveu não ir. Primeiro por não ter a companhia da família, segundo porque estes ingressos valem dinheiro. E então ela entrega as carteirinhas para a amiga número 2 (sim, tem que confiar para entregar estas preciosidades na mão de alguém) e esta vendeu para mim e amigo André por 60 euros cada.

É o cambista familiar. Aquele que entrega a carteirinha na sua mão, entra com você no estádio, pega de volta e assiste ao jogo. Muitos fazem disso uma renda extra. E, até por isso, não são poucos os ‘de fora’ em espaço tão nobre.

esscanteio

O ambiente

Aí você entra e, depois de passar a catraca, não sobe escada nenhuma. Apenas desce. Se a cidade de Madrid (vou usar com D) está a 655 metros acima do nível do mar, o gramado do Santiago Bernabeu está a uns 650, por aí.

Entre a primeira fila de torcedores e o gramado, apenas fotógrafos ajoelhados, placas de publicidade e agentes de segurança de frente para a torcida.

A torcida lota o estádio. Atrás do gol de Dida no primeiro tempo, no último anel, os ‘ultras’ italianos, ou a torcida organizada do Milan. Atrás do gol oposto, mas no primeiro anel, os ultras do Madrid, metade de roxo, metade de branco. Só eles gritam para valer, o resto da torcida fica quieta , o que dá a impressão que a torcida adversária grita mais alto.

“O torcedor do Madrid é assim. Gosta de ver o jogo. Ficar gritando é mais para os ‘ultras’, que pouco assistem à partida”, me explicou meu cicerone. Gostei da explicação (me identifico, aliás.. assisto a jogos quieto). Além do espaço reservado aos ultras adversários, muitos torcedores do Milan espalhados pelo resto das tribunas. Mas muitos mesmo, infiltrados, comemorando gols normalmente e gritando bastante. Nenhum mal estar e nenhuma confusão. Três cadeiras acima de mim um grupo de 6 italianos chegou a incomodar de tanto que gritavam os gols. Não seria exagero se rolasse uma briga ou uma discussão. Mas não rolou.

Outra particularidade: maconha. Sim, o cigarrinho do capeta não dá trégua. No lugar (nobre), em que eu estava, foi o jogo inteiro o cheiro e o fumacê do ‘porro’, como se diz por aqui. Um torcedor chegou a fazer o trocadilho: ‘passaram para o Kaká este baseado?’ Maldade…

O frio estava de lascar. Oito graus mas o vento e a chuva fria davam sensação de ainda mais frio. Aí entra a turma do amendoim. Com o time jogando mal, chuva e frio, reclamavam até da cobertura do estádio, que não existe em todos os lugares.

– Florentino %$#@%, cadê o teto?, reclamava um senhor.

Tanto frio que quando o Milan virou, alguns torcedores deixaram o campo, incluindo um ao meu lado. No intervalo, todos voltam para a parte coberta, para um xixi, um bocadillo e, principalmente, para ver os melhores momentos do primeiro tempo e os gols dos outros jogos da Champions na TV.

Sobre os jogadores: Kaká ainda é uma incógnita. Se 80% do estádio estava lá para vê-lo, os mesmos 80% saíram chateados. Alguns davam força, sabem do potencial e do tempo que leva para a adaptação. Outros, como no Brasil, são impacientes e pediam para que Kaká tirasse a camisa do Milan que estava por baixo.

O brasileiro que mais vai do céu ao inferno é Marcelo. Os torcedores mais ‘boleiros’ acham que é muito para ele marcar e ainda ter que apoiar, já que do outro lado Sergio Ramos faz só uma das coisas. Os torcedores mais folclóricos e fanfarrões não suportam o brasileiro. Não é incomum ouvir vaias a ele. De qualquer forma, várias jogadas passam pelos pés do lateral, inclusive oportunidades de gol. Como o gol final de Pato saiu nas costas dele, mais uma na conta do Marcelo.

Saíram todos com a sensação de Ronaldo-dependência. Cristiano, que estava no estádio, fez falta. Zidane, que estava no estádio, também. E Raúl Gonzales BLANCO, que fez o primeiro gol e deu o passe do segundo, é um ídolo sem igual. Sua raça contagia os torcedores. Seus gritos e carrinhos merecem aplausos. Sem contar os seus gols. Fez o que o Dida deu para ele e segue disparado como o maior goleador da história da Champions League com 66 gols. Para se ter uma ideia, a capa do As, jornal madridista ferrenho do day after, mostra um Raúl, bravo, com Benzema e Kaká de cabeça baixa com a seguinte manchete: ‘Grite mais com eles, Raúl’.

O jogo

Vocês viram melhor do que eu. Eu vi mais perto do que vocês. Um primeiro tempo para se esquecer. Fora um pênalti não marcado em Benzema, nada de futebol das duas partes e um gol achado do Real Madrid depois que Dida largou a bola na frente do único jogador que não desiste nunca do Real.

Já no primeiro tempo Seedorf dava mostras que estava mais no jogo do que todos. Mas no segundo, o veterano holandês mostrou que é o cara. Comandou o jogo, ganhou todas as divididas. E então, na minha frente, sem avisar como no futebol de botão que a bola ia para o gol, Pirlo acertou seu petardo com efeito no cantinho de Casillas que, frio, sem tocar na bola até então e sem se aquecer durante o jogo, aceitou.

Pato virou em mais uma falha de Casillas no lançamento do Ambrosini. O gol do empate do Real é o retrato da bagunça do time do Pelegrini. Ninguém aparecia para bater o escanteio já que Granero havia sido substituído. A torcida começou a vaiar e Raúl, sempre ele, saiu correndo desesperado para cobrar. Rolou para Drenthe, fora da área, bater e empatar.

Quando tudo parecia resolvido, mais uma vez bem na minha frente, Ronaldinho bateu um escanteio (foto com máquina ruim) e Thiago Silva marcou. Gol legítimo, mas anulado. O pau quebrou. Ronaldinho deu um ‘pescozon’ no Raúl. Tiveram que separar os dois. Mas o que era do Milan, não ia não ser do Milan. Numa jogada meio errada de Pato, Ronaldinho passou para Seedorf e puxou a marcação pela esquerda. O holandês, para mim mais o nome do jogo do que o próprio Pato, não cruzou, mas deu um passe para o brasileiro fechar a conta.

Milan e Real Madrid, juntos, somam 16 títulos de Champions League. Lá, da grada baja lateral este, deu para entender melhor o motivo.

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20/10/2009 - 06:13

Fulham FC em turnê pela Europa

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– Esta é uma temporada e tanto na vida do Fulham FC. O time do oeste de Londres está disputando pela segunda vez na história a Liga Europa, antiga Copa da UEFA, ou a segunda divisão da Europa, e lidera o grupo E da competição.

– O Fulham não tem nenhuma liga inglesa. Nenhuma FA Cup. Muito menos honras europeias. Tem o nome, não do time, mas do bairro. O bairro onde fica o (agora) poderoso Chelsea chama-se Fulham. Stamford Bridge, pomposo e com capacidade para 42 mil pagantes, fica a apenas 20 minutos andando a pé de Craven Cottage, o modesto mas charmoso palco dos Whites.

craven_cottage

– Corta para o jogo da noite. De um lado, o Fulham, a poucos dias de encarar a Roma pela primeira vez na vida, em casa, pela Liga Europeia. Do outro, o Hull City, um clube que apesar de centenário, consegue ser menor ainda. Os dois times em posições desconfortáveis na tabela, apesar da liga ter apenas 9 rodadas incompletas.

– Craven Cottage lotado, inclusive a parte grande e sem separação da torcida do Hull City, visitante. Vinte e cinco mil pessoas no total, que é o máximo possível neste humilde palco londrino. Humilde mesmo, diga-se. Vários lugares onde não se vê direito o jogo. Na minha frente, atrás do gol, uma coluna que sustenta o teto da arquibancada – sim, é tudo coberto, não me deixava ver (foto) boa parte das poucas vezes que Giovanni, o craque brasileiro do Hull City, tocou na bola.

– O gramado termina na arquibancada como nenhum outro. Gandulas sequer trabalham pois todas as vezes que a bola sai do gramado, cai na arquibancada. E os jogadores, locais ou visitantes, ficam pacientemente esperando que o torcedor devolva a bola para o campo. A  bola não é arremessada, que fique claro, mas sim passada da mão do torcedor para o lateral.

– Outra pausa para um detalhe do estádio. Uns dias antes do jogo, fui até lá conhecer e pegar meu ingresso. Na porta do estádio, cometi a gafe de perguntar onde era o próprio estádio. Os portões são tão baixos e as arquibancadas tão discretas, combinando com a paisagem do bairro, que realmente dá para confundir. ‘Fica aqui’, me disse o paciente senhor.

– O jogo começa e a rivalidade já fica clara. Não com o Hull, mas com o Chelsea. Sabe quando Coxa e Atlético ou São Paulo e Corinthians se xingam mesmo quando não se enfrentam? Exatamente a mesma coisa. O principal grito da arquibancada diz que eu sou Fulham e f… Chelsea’.

– O Fulham tem Damien Duff, lembram? Ex-Chelsea, um irlandês driblador, habilidoso. Foi dele a jogada do primeiro gol, de Bobby Zamora.

– No mais, jogo feio, com Giovanni longe dos atacantes, e com o grandalhão norueguês Brade Hangeland (1,96m) do time da casa, errando todos os passes.

– Emoção, mais no segundo tempo. Primeiro pelo segundo gol, do franco-senegalês Kamara. Depois pela grande história do jogo: a entrada de Jimmy Bullard na segunda metade da etapa final.

– Bullard não passou em branco no Fulham. Marcou gols importantes, quase todos livrando o time do rebaixamento. Chegou a ser chamado por um treinador de ‘as melhores 2 milhões libras que eu já gastei na minha vida’. Teve também uma contusão no joelho que o deixou mais de um ano parado. Voltou jogando muito e, numa decisão controversa, deixou o clube para ser vendido por 5 milhões de libras para o Hull City. Chegou lá e…. mais 9 meses fora do futebol, com contusão no MESMO joelho. Praticamente um Ronaldo sem ‘aquela coisa toda’.

– Adivinha o primeiro jogo de Jimmy Bullard em sua volta a Premier League? Voilá… contra o Fulham, ontem, com a presença ao vivo deste blogueiro. O cara fica quase dois anos sem jogar na carreira, imagina-se que vai haver compaixão, amizade.

– Arrã.

– Bullard não só ouviu a maior vaia da história deste estádio cada vez que pegava na bola, como teve um recorde de 10 canções diferentes contra ele. A criatividade não tinha limites. Cantaram desde ‘Jimmy, como vai esse joelho? até ‘não existe maior bastardo ganacioso’. O canto mais legal era o trocadilho com a frase do técnico que dizia que ele era o dinheiro mais bem gasto que já teve. Os torcedores diziam que Bullard era o maior desperdício de dinheiro da história do futebol. Tudo rimando e com música,  de preferência Yellow Submarine dos Beatles, Guantanamera, Volare e Seven Nation Army do White Stripes, é claro.

– Bullard tomou a maior vaia da sua vida, uma ombrada de Kamara que o fez voar longe no primeiro lance, perdeu de 2 x 0, ouviu mais de 10 canções contra ele, bateu uma falta que o Guardian narrou como ‘motivo para dar risada no bar depois’ e ainda assistiu ao seu ex-Fulham, sem alguns titulares, encerrar o jogo com um olé que durou quase 3 minutos.

– O Fulham e seus torcedores sarcásticos enfrentam a Roma no que estão chamando de turnê europeia nesta quinta em Craven Cottage. Jimmy Bullard vai assistir de casa mesmo.

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14/10/2009 - 22:21

Uma noite em Wembley

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– Os portões do estádio de Wembley ainda estão fechados quando o locutor oficial fala: ‘Este é um jogo que corre de acordo com as regras da FIFA e, por isso, não haverá venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio. Sentimos muito.’

– Mais ou menos assim, pedindo desculpas, os portões do novo estádio Wembley, casa da seleção inglesa de futebol, se abriram para a última partida válida pelas Eliminatórias, contra a Bielo-Rússia.

– Um estádio impecável. Coberto para todos os torcedores (descoberto apenas no gramado), com cadeiras numeradas e capacidade para 90 mil pagantes. Acesso fácil, metrô tanto da Jubilee como Metropolitan lines.

– Dentro, propaganda intensa da campanha da Inglaterra para sediar a Copa de 2018. No telão, o tempo de jogo, o replay das jogadas, e os melhores momentos no intervalo. O futebol como ele deveria ser no estádio (ninguém perde nada).

– Sem álcool, mas com apostas. Legais, diga-se. Ao lado dos belos sanduiches (comi um cheeseburguer, batatas e refri por 7 libras – calcula aí que tô com preguiça), vários quiosques da Betfred. Como eu vou a fundo na blogagem, resolvi colocar 5 libras que Rio Ferdinand (criticado a semana toda) marcaria o primeiro gol. Calma que eu posso explicar. Essa aposta pagava 25 libras pra 1 libra apostada. Mas tinham várias outras, como a trivial quem vence o jogo. Ou qual será o placar. E as filas para jogar são maiores do que as para comer sanduíche.

– Enquanto isso, no som ambiente, claro, rock e pop. Do Killers do Muricy ao Michael Jackson. No telão, Noel Gallagher fala que você deveria jogar futebol. Sim, a FA, Associação de Futebol da Inglaterra, faz propaganda do esporte. E todos eles divulgam o amistoso contra o Brasil em novembro, ‘number one team in the world’.

O jogo: Inglaterra classificada para a Copa de 2010. Bielo-Rússia. Bem, a Bielo-Rússia, nunca fez mal a ninguém… English Team sem Rooney e Gerrard, seus dois principais jogadores. Mas com os locais do Chelsea Lampard e Terry, com o ameaçado Rio Ferdinand e com vários outros precisando mostrar serviço para Capello, como Barry, Agbonlahor e Crouch. A escalação, com o áudio oficial do estádio, aqui. E o hino do Jenson Button e do Lewis Hamilton, cantado pelo estádio todo, em outro áudio, aqui.

– E foi exatamente o trio que fez o primeiro gol. Passe do primeiro para o segundo que cruzou para o terceiro dar um carrinho e marcar. Perdi 5 pounds, mas vi a jogada mais legal do jogo.

– No banco, a sombra de David Beckham. No banco, exatamente, não. Capello mandou Becks aquecer aos 15 do primeiro tempo. Ele passou o primeiro tempo e o intervalo inteiro aquecendo. E… os 13 minutos iniciais do segundo tempo até entrar no lugar de Lennon. Deve ser o novo recorde (inglês) de tempo de aquecimento.

– Entra Beckham, ovacionado, pega na bola pela primeira vez e dá o passe para o segundo gol de Wright-Phillips. E, depois, um show de toques de bola refinados dele. O torcedor folclórico ao meu lado diz, impressionado e desanimado ao mesmo tempo, bem do jeito inglês, pela classe do jogador: ‘É triste, mas ele é o que temos de melhor ainda. Precisamos dele. É difícil admitir. Beckham, mais tarde, seria escolhido o jogador da partida. Por 50 minutos de aquecimento e 30 minutos de jogo. Impecável em ambos.

– Ainda saiu um terceiro gol, de Crouch, que vai acabar levando uma vaguinha de Capello assim. Capello que, em Wembley, fiuca numa área técnica solitária, longe do banco e dos assistentes. O terceiro gol fez a alegria do não lotado Wembley que recebeu ‘apenas’ 76897 pagantes (setenta e seis mil, oitocentos e noventa e sete). Aliás, detalhe, talvez pela classificação antecipada, tinha ingresso na semana do jogo para vender no site oficial (thefa.com/tickets) e retirar nas bilheterias.

– Segundo o policial, dos 77 mil (só somar os jogadores e a comissão técnica), mais ou menos metade iria embora de metrô (tube). Todos na mesma estação (Wembley Park), inclusive este blogueiro. E tudo correu na maior calmaria, com policias gentis, montados, pendindo calma que logo todos embarcariam nos trens extras enviados ao estádio. Meia hora depois do apito final, cerca de 22h30, eu já estava em casa (Wembley não é exatamente perto). Que horas começam os jogos da Globo no Brasil mesmo?

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06/10/2009 - 07:30

Jogando fora de casa

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*É.. eu tive fora uns dias.

Mas vamos lá, sem delongas, venho aqui para contar uma historinha que está no jornal inglês Guardian de ontem (segunda 5 de outubro). Uma lista de jogadores, a grande maioria de times do noroeste da Inglaterra, que tiveram suas casas/mansões invadidas enquanto jogavam fora de casa por seus times, sobretudo Liverpool e Everton, mas também Manchester United.

O repórter Patrick Barkham levanta 21 nomes, entre eles Lucas Leiva (novembro do ano passado), Gerrard, Reina, Crouch, Macheda, o amigo do Joel Santana Steven Pienaar (maio de 2009) e o último deles Phil Jagielka, do Everton, no mês passado.

Quase todos tiveram suas casas invadidas enquanto jogavam. No caso de Lucas, nem precisou viajar. Foi no jogo contra o Atletico de Madri em pleno Anfield mesmo. Kuyt, Keane e Fletcher estavam viajando com seus times.

A polícia analisa se é apenas a oportunidade que tem feito o ladrão, afinal todo mundo sabe onde os astros moram e principalmente todos sabem quando estão ou não em casa, ou se na verdade é uma gangue organizada dos jogos fora de casa.

A parte engraçada que surge do problema é que antes de ‘sacar’ que checar a tabela poderia facilitar qualquer roubo, teve gente que se deu mal. Ao tentar assaltar a casa do lendário escocês grandalhão briguento Duncan Ferguson, aposentado em 2006 e que marcou época no Everton, Carl Bishop não esperava encontrar na sala o próprio jogador.

Encrenqueiro conhecido e com 1,93 de altura (mas ao contrário de Crouch, muito forte), Ferguson deu de cara com Bishop em sua sala. O ‘meliante’ passou 3 dias no hospital além de pegar 15 meses de prisão. A seguir, dois momentos delicados de Duncan Fergunson, guardião de sua casa, nos gramados.



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