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12/07/2004 - 18:36

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Pelé Eterno

Um comentário de quem não entende de futebol, assiste meio desatenta alguns jogos do Brasil, mas chora nas finais de copa do mundo.

por Maria Melo

Talento, obstinação e um profundo amor. São as mensagens que esta vida documentada neste filme me passam. Ah, deixo bem claro que também não entendo de técnicas cinematográficas embora ame o cinema.

O que é aquilo? Que energia é esta emanada por aquele jovem, que vestiu a camisa do talento e da perfeição num exercício diário incansável de aprimoramento da arte.
É uma vida dirigida ao polimento dos gestos, dos toques, dos acabamentos, é um estudo detalhado e sem tréguas, sem atalhos por qualquer tipo de sedução que o possa desviar de seu foco. É afinal um perfeito domínio do corpo, do instrumento (bola), do todo, uma visão ampliada, global do universo do campo e de todos aqueles que passam por ele.

Este domínio nada mais é do que um equilíbrio mental que resulta nesta atitude impecável que se atinge com um tremendo esforço. O esforço da constância, da busca da técnica e do belo.

Se fosse na música, ele teria composto vastas sinfonias (o próprio filme faz uma alusão visual a este respeito), se fosse um escritor, passaria sua vida sentado, horas a fio, polindo seus textos; se fosse um cientista acabaria adormecendo dentro do laboratório para não largar o fio da meada de suas descobertas.

Caráter. Esta qualidade salta naturalmente no decorrer destas considerações. Caráter se aprende? Talento já nasce pronto ou é conquistado? Em Harvard o pedagogo Howard Gardner defende que o ser humano se enquadra nas 8 inteligências, entre elas a lógica matemática, a lingüística, a musical, a espacial,etc.etc….não se fala mais em QI.

No caso do Pelé, como educadora percebo um fantástico desenvolvimento das inteligências espacial, sinestésica, emocional racionalmente controladas pelo equilíbrio entre um caráter de fibra, uma vontade inabalável e uma aplicação devotada e incansável na qualidade da arte, na forma física , na coreografia, e claro não poderia deixar de citar, um profundo amor que podemos ver na comemoração de cada gol conquistado. Uma nova molécula descoberta, uma resolução para a forma de uma escultura, aquela rima que tanto buscava para concretizar o poema. A curva certa da ponte para a beleza arquitetônica. Equilíbrio!

O Brasil precisava deste registro.
Obrigada Pelé

ps do Blog de Bola: Maria Melo é uma leitora de longa data. Fiel e muito especial…

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