Publicidade

Publicidade
09/07/2004 - 13:03

Compartilhe: Twitter

Uma seleção para cada jogador

por Mauricio Teixeira

Cada dia que passa eu acredito que no futebol (assim como em qualquer empresa), você precisa explorar a individualidade de cada atleta (funcionário). Esquema tático é o melhor exemplo. 3-5-2 / 4-4-2 / 4-5-1… cada vez acho mais besteira essas continhas, como se o futebol fosse um pebolim.

Está na cara que o melhor esquema tático é o que melhor tem capacidade de usar as capacidades técnicas de cada um. Veja a seleção brasileira. O esquema 4-3-3 do Parreira é excepcional com o time titular. Ronaldo Fenômeno é o melhor do mundo e sabe onde precisa ficar. Lá na frente. Quase nunca volta para buscar jogo e sempre mantém 2 ou 3 com ele, seja na esquerda, seja na direita. Só esperando o lançamento para partir para o gol ou fazer tabela.

Kaká e Ronaldinho Gaúcho são outros dois fenômenos. Chutam bem, passam bem, se movimentam muito, jogam sem bola, chegam na frente e ainda dão um primeiro combate eficaz e inteligente. Juninho Pernambucano é o mais habilidoso volante do mundo, assim como Cafu e Roberto Carlos, que têm o fôlego necessário de quem é zagueiro na defesa e ala no ataque (coisa que poucos laterais do mundo conseguem – lembrem da Eurocopa).

Ou seja, os jogadores caem como uma luva. Parece que o esquema foi inventado para quem tem jogadores neste nível. O próprio Zé Roberto, que dá cobertura ao Roberto Carlos, aparece para receber quando os craques estão bem marcados e ainda chega no ataque quase como que um elemento surpresa, não tem similar (talvez o Ricardinho em forma).

Na seleção de ontem, tudo se inverteu. Menos o maldito esquema. O trio da frente era Alex, Luis Fabiano e Adriano. Não precisa ser gênio para descobrir que o trio com estas peças fica capenga, quase inoperante. Os dois ‘9’ voltam para receber embolando o meio e Alex fica sem o que fazer.

Ao mesmo tempo, Renato e Edu não têm a qualidade da dupla original. Não que eles não tenham seu valor. Mas o valor deles com certeza não é ser o clone de Juninho e Zé Roberto. E os laterais, também muito bons de bola, não podem imitar Cafu e Roberto. Impossível!

Resultado. O time só melhorou quando Parreira respeitou os jogadores que tem e mudou o esquema. Lógico. O time virou um 4-4-2 com as entradas de Ricardo Oliveira e Diego. Alex ganhou um amigo no meio para conversar, Luis Fabiano ganhou um escudeiro no ataque e foi ser o único e genuíno 9. Edu e RenatO largaram mão de ‘armar o time’ e foram fazer o que sabem melhor, tocar de lado e cobrir a subida dos laterais. Mancini (Maicon) e Gustavo Nery finalmente tocaram na bola.

E assim caminhou a seleção!

Concordo que o Parreira precisa testar os jogadores no esquema. Mas tem que ser peça por peça no time titular. Uma coisa é você colocar só o Luis Fabiano no lugar do Ronaldo. Ou colocar o Alex só no lugar do Kaká. Ou testar só o Ricardinho no lugar do Zé Roberto. Outra é tirar os 11. Se for para fazer isso, precisa ter um novo esquema de jogo!

Ps: escrevi tudo isso e esqueci do mais importante. Que jogo mais chato, não?

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo