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19/04/2004 - 21:08

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Atletiba – o jogo das multidões


foto Paraná Online

por Carlos Sperandio Jr

Não é pouca coisa. Pelo menos um milhão de torcedores para cada lado os dois rivais têm. A cidade simplesmente para. Atletibas como este de domingo são inesquecíveis. Três a três com o título coxa-branca mais do que merecido.

É impossível fazer uma análise fria do jogo, porque simplesmente vai contra a filosofia do clássico. Atletiba é paixão, é sofrimento, é vitória, é céu e, infelizmente, é inferno.

Cada simples toque na bola ficou registrado na minha memória. Assisti ao jogo pelo cabo, haja vista que em menos de quatro horas os ingressos se dissiparam. Acredito que se tivéssemos um estádio para 100 mil, 100 mil teríamos.

O jogo começou 2 a 1 para o Coritiba, herança do jogo de ida. E melhorou logo no início, aos 17 minutos, com o lateral-direito Josimar acertando uma bola cruzada onde nenhum Diego pegaria. A vantagem aumentou, assim como o frisson da torcida rubro-negra.

A virada do placar com uma jogada de raça, Rogério Corrêa após escanteio, e outra de sorte, Jádson de falta direto no gol, caíram como uma luva para ressuscitar o sonho atleticano. A Arena tremia. Os ânimos se afloraram.

Mas, clássico é clássico. Como um foguete, o lateral-esquerdo do coxa Adriano fez o inimaginável na cabeça do técnico atleticano Mário Sérgio, porém sabido de todo o resto do mundo: desceu sozinho pela esquerda e centrou na entrada da pequena área. Dali, até eu. Caixa para o atacante Tuta, o novo nome consagrado no Alto da Glória.

No momento em que os torcedores atleticanos começavam a sentir o gosto de água no chopp, surge um inspirado Jádson com mais uma bola (bem) alçada na área. Mais uma vez um zagueiro, desta vez Ígor, desvia e devolve a taça ao Furacão. Encerra-se o 1º tempo.

Caras, quanta reclamação. O Coritiba parecia perdido em campo. Ainda mais quando logo no início da etapa complementar o selecionável Adriano se machucou. Os fanáticos ameaçaram cantar vitória, mas algo os fez calar. Talvez, a ineficiência de um bizonho Dagoberto, que mais parecia um “Jádson” e este sim um jogador de seleção. A troca afundou o Atlético.

Como desgraça pouca é bobagem, veio o castigo. Aos 31 minutos de um jogo pouco jogado pelo Atlético, que se encolheu e procurou matar o tempo (como fez falta!), veio o escanteio pela direita do ataque alvi-verde para a matadora cabeçada de Tuta.

Inveja, cobiça, raiva, luxúria, gula, preguiça. Veio o castigo. O cai-cai virou de lado. Parecia um preço justo a se pagar por um pênalti não marcado, por um 1º jogo não jogado, por uma expulsão infantil, por absoluta falta de estrela de um treinador mal-amado.

Dos oito minutos finais, jogaram-se, se muito, dois. Último lance, falta na entrada da área. Ah, se Dagoberto fosse Pedrinho. Fosse Zico! (Casão, essa você errou longe). Fosse Petkovic! Não era. Era apenas um Dagoberto sem tesão. Bola infantil, rasteira, na barreira. Suficiente para inspirar um sopro final de apito.

Já era. Coritiba Bicampeão Paranaense na Arena. Foi justo. Ganhou o melhor. A mim, o consolo que fiz minha parte. Torci como um louco, conversei, debati. Não escalo, não jogo, não contrato.

E também não mereço o xingamento injustificável daqueles recalcados que acreditam que futebol é tudo e nada, é feito apenas de momento. Presenciei nas ruas situações que gostaria nunca ter visto. Desconhecidos se ofendendo e saindo para agressões físicas por simples discórdia futebolística. Dizer o quê? Mais uma de um país analfabeto social.

Que venha o Brasileirão! Vida longa aos Atletibas!

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