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18/09/2003 - 12:29

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Discrepâncias – as do Geraldo e outras

por Maurício Teixeira

Geraldo é o meu pai. E discrepância é uma palavra dele. Pelo menos eu a ouço desde que me entendo por gente. As discrepâncias do Geraldo vão desde a absurda distribuição de renda no Brasil até a hora que o adolescente Maurício chegava do bar em pleno dia de semana com faculdade e estágio por fazer.

Fui no Aurélio e fiquei meio decepcionado. O verbo discrepar é apenas e tão somente ser diferente, diferir, o que não é de todo ruim, pelo contrário. Mas a discrepância a que me refiro é bem mais pesado. Uma discrepância é uma coisa fora de propósito, sem sentido no senso comum. Perdoe-me o Aurélio, mas vou seguir com meu velho pai. Pelo respeito, pelo costume e também porque ficaria sem meu raciocínio a essa altura do campeonato.

Pois antes, durante e depois do clássico sofrível, em todos os níveis, entre São Paulo e Fluminense na última quarta-feira pela Copa Sul-Americana, a única palavra que me vinha na cabeça é a tal da discrepância.

O futebol brasileiro é tão mal-administrado, tão sofrível, sem critério e sem objetivo que discrepâncias aparecem de todos os lados. Uma, ontem, personifica tudo para mim.

Quem leu este blog há cerca de 1 ou 2 meses pode se lembrar do que eu escrevi sobre o atacante Kléber do São Paulo. Abre aspas: é chato pegar no pé. Ainda mais de cara novo. Mas a verdade é que o atacante Kléber do São Paulo não deveria ser jogador de futebol. Ele pode até ser boa pessoa, mas acho que precisa de outra carreira. Fecha aspas. Isso entre outras coisas.

Bom, chego de férias que passei longe das notícias e dos jogos e uma das pessoas que me defendeu na época vira para mim e diz: “Maurício, o cara está gastando a bola. Jogou tudo contra o Grêmio pela Sul-Americana.”

Vendo São Paulo x Fluminense, constato a discrepância: a total falta de critério do futebol brasileiro, as condições calamitosas dos times do Rio de Janeiro e o amadorismo em todos os níveis fazem com que o grosso do Kleber tenha um futuro mais bonito e promissor do que o bom Carlos Alberto do Fluminense.

O São Paulo tem um time montado desde o ano passado. Tem jogadores de personalidade que chamam a responsabilidade como Ricardinho, Fabiano, Gustavo Nery. Tinha Luis Fabiano e Reinaldo no ataque, que davam conta do recado. No banco, Rico e Kleber. Eles entravam de vez em quando, com certo critério, sem grandes responsabilidades.

Com a saída de Reinaldo, sem um grande craque, tanto fazia quem entrasse, pois o time tava montado, sabia como jogar e jamais jogaria a responsabilidade de uma partida nas costas de um garoto.

O primo pobre tricolor do Rio, ao contrário, não tem time mas tem um craque. Um craque que desde cedo já está lidando com a derrota da maneira mais dura que pode acontecer. Um jogador de ouro, que colocado em campo com critério, em times bem montados, não deixaria nada a desejar a D’Alessandro, Kaká, Sesc ou qualquer outro destes bons meias de perna direita que surgem pelo planeta bola. Um craque, enfim, que precisava jogar num bom time brasileiro (que deveria ser o próprio Flu), ficar uns 3 ou 4 anos por aqui e depois ir pra Europa pra jogar na Itália/ França/ Espanha/ Inglaterra e não Ucrânia/ Rússia/ Turquia/ Coréia.

O Fluminense não é o único. Tenho certeza absoluta de que Jô, Abuda, Wendell e Bobô do Corinthians são muito melhores que o Kleber. Mas, lançados assim, de qualquer jeito num Corinthians tão em frangalhos e de aluguel, pode apostar que os quatro e provavelmente mais este que escreve vão engolir mais essa discrepância chamada Kleber.

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