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09/09/2003 - 20:22

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Uma tarde com os Galáticos

Mauricio Teixeira

Tudo o que eu relato a seguir aconteceu num treino do Real Madrid, dia 16 de agosto, na Ciudad Desportiva (CT do time cerca de 2km do Santiago Bernabeu), na véspera da partida Valencia x Real Madrid, pelo troféu Naranja.

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Custou 3 euros. Cerca de 10 reais. Tinha umas mil pessoas. O primeiro momento de grande interesse foi a chega dos craques, de carro. Quer dizer.. eu costumo chamar meu carro de carro. Aquilo era outra coisa. Do Beckham ao Portillo, só máquinas de primeira.

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A torcida monta uma espécie de corredor polonês e saúda cada um deles. Os craques, preocupados em não atropelar ninguém, respondem do jeito que podem. Fiquei longe do tumulto mas Dona Isabel, torcedora fanática, sentou do meu lado e disse que o mais simpático de todos naquela tarde foi o Guti; e o menos, Ronaldo.

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O treino começa com a tradicional corridinha. Cada volta dos craques perto do alambrado é um furor. Sobretudo feminino. Fora o Raul e o Michel Salgado, o resto do time ‘dá migué’ igualzinho aos brasileiros. Começa com um pique mas cada vez vai encurtando a distância a ser percorrida.

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O primeiro contato com a bola é no tradicional bobinho. O técnico Queiróz divide os jogadores em 4 grupos. Eis o momento mais constrangedor do treino. Eu não queria estar na pele do Beckham. Mas a verdade é que num dos grupos ficaram o inglês, Zidane, Figo, Ronaldo, Roberto Carlos e o habilidosíssimo argentino Solari.

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Bom, não demorou muito e o ‘novato’ caiu no bobo. Beckham é ótimo jogador. Mas você já imaginou ficar num bobo com Zidane, Ronaldo e Figo? Coitado. Bom, antes que ficasse chato, lá pelo 20º toque, o Roberto Carlos meio que de propósito deixou o marido da Vitória sair da situação complicada em tempo.

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O Roberto, aliás, é o grande showman do treino e, disparado, o que faz mais questão de entrosar Beckham aos companheiros. Até inglês ele deve arranhar com o novo galático. Está sempre disposto a explicar algo.

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Depois do bobinho, Queiróz separou dois times e deu o colete rosa para um deles. Como eram 8 contra 8, não dava pra dizer que era o time titular. Mas tinha todos os galáticos, menos Roberto Carlos.

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É impressionante como o Guti, o Portillo, o Morientes (que ainda estava no elenco) e todos os espanhóis reservas chegam junto nas divididas. Pode ser Zidane, pode ser Ronaldo, pode ser o que for. Eles entram duro.

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Mesmo com a chegada do Beckham, salta aos olhos a pressão a que Ronaldo é submetido o tempo todo. Não foi nem um nem dois gritos de ‘gordo’ que eu ouvi. O público só sossegou quando ele fez um daqueles golaços deixando o goleiro sentado.

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Zidane. Zidane vale o ingresso. Do jogo e do treino. Como nunca tinha visto de tão perto, fiquei impressionado. Ele cola a bola no pé igualzinho na televisão. Ele dá uns passes impossíveis. Tem uma passada descompassada que acaba com qualquer bom marcador de raciocínio lógico. Zidane é outro nível de futebol. É outra coisa. Ele fez um gol no treino que foi tão genial que até os colegas espanhóis invejosos foram aplaudir. Grudou a bola no pé esquerdo, esperou a passagem do Ronaldo, trocou para o direito e mandou um tiro cruzado que a bola grudou no ângulo. Todos os três toques na bola que deu neste lance, entretanto, pareciam o mesmo.

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Aliás, é muito comum o discurso afinado dos reservas. “Eu jogo bem. Poderia ser titular. Mas é que na minha posição joga o melhor do mundo.” Ouvi isso no Marca e no As da boca do Guti, do Portillo, do Morientes e do Solari.

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Coletivo acabado, começa o que eu chamei de treino de especialistas.

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De um lado do campo, Ronaldo, Raul, Portillo e Morientes bombardeiam Casillas de chutes de perna esquerda, de direita, de fora da área, de dentro, sem-pulo e etc. Ronaldo foi o que menos fez gols e por isso teve que pagar 20 flexões de braço devidamente contadas pelos outros 3 (e mais toda a torcida).

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Do outro, Beckham, Figo, Zidane e Roberto cobram faltas no pobre do Cesar. Finalmente a hora do inglês brilhar, certo? Mais ou menos. Ele realmente fez 3 ou quatro golaços. Mas ficou atrás da precisão irritante do Zidane.

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Roberto Carlos não fez nenhum gol e pagou as flexões. Mas foi o protagonista ao simplesmente quebrar a barreira de madeira no meio depois de um de seus chutes delicados.

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Sabe o que faz o resto da equipe nesta hora? Corre. Isso mesmo. Salgado, Cambiasso, Helguera, Pavon, Guti. O resto da equipe fica correndo em volta do campo. Nada mais justo já que a função deles na equipe é exatamente isso.

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Pra terminar, Ronaldo levanta de suas flexões. Ao meu lado ainda ouço murmúrios de ‘gordo’. ‘Mais rápido, gordo’, diz um deles, com a camisa 7 do Raul. No caminho até o vestiário, porém, Ronaldo toma a bola do Figo com um drible sensacional de brincadeira e posiciona a bola pra cobrar uma falta. O nosso amigo torcedor já começa a bufar. ‘El gordo ahora quer cobrar faltas también?’ Ronaldo ajeita, cobra, a folha seca encobre a barreira e cai no canto baixo de Cesar. Gol…

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Levanto, pego minhas coisas, olho bem no olho do nosso amigo torcedor, dou uma leve levantada de sobrancelha reflexiva e vou embora…

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