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Arquivo de maio, 2003

12/05/2003 - 13:19

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A Bola de Prata e a ‘periferia’ do futebol

Por Maurício Teixeira

O mais sério dos prêmios do futebol brasileiro foi entregue ontem, com direito a solenidade e tudo, pela revista Placar na Rede Record. Bela festa, com justas homenagens. Entre os premiados, três nomes me saltam à vista.

O goleiro Diego (Junior, o cara é bom… dê tempo a ele. Não faça como os corintianos com o Doni), o lateral Mancini e o meia Tinga figuraram junto a um time do eixo Rio-São Paulo. Nada mais justo num campeonato que teve 4 paulistas e 1 carioca entre os 8 primeiros, sendo que três deles chegaram à semifinal.

A diferença, no entanto, está em 2003. Como aconteceu em 2001, são os outros estados que estão mandando na competição. Como eu fico satisfeito de ver isso acontecer. Não tenho nada contra o futebol paulista ou carioca. Acho que historicamente são os melhores. Mas nada mais chato do que a previsibilidade.

O Campeonato Italiano, por exemplo, só foi interessante nos últimos 20 anos quando times periféricos como Napoli e Sampdoria fizeram frente aos grandes. No mais, o calcio de lá é uma espécie de campeonato carioca. Se não dá Milan, dá Inter, Juventus ou no máximo Roma e Lazio. O mesmo acontece na Espanha. Só melhorou um pouco depois que Valencia e La Corunha começaram a jogar bola também.

Por essas e por outras, faço coro de que o campeonato de pontos corridos pode ter no Brasil o seu máximo representante. Em nenhum outro país existem 12 considerados grandes, e outros 24 de tradição. Em que lugar do mundo temos 15 equipes que já foram campeãs nacionais em pouco mais de 30 anos de disputas (e olha que o Cruzeiro, atual bicho papão, jamais ganhou o torneio).

Faço votos sinceros de que o Goiás, o Azulão do ABC, o simpático Papão do Norte, o Juventude de Caxias, o sempre complicado Criciúma e mesmo o apático Paraná Clube sigam dando trabalho e mostrando que, para jogar bola no país do futebol, não basta ter camisa ou história.

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12/05/2003 - 11:05

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Goleiro: o número um do futebol

Por Carlos Sperandio Junior

Baseio-me em dois pontos para traçar linhas sobre arqueiros. O primeiro veio da declaração de ódio de meu colega são-paulino Maurício a respeito do incompreendido filósofo dublê de apresentador Rogério Ceni. O segundo se originou da fantástica ressurreição de Fábio Costa no jogo Santos x Nacional pela Libertadores no meio da semana passada.

Quanto ao debate em volta do goleiro-artilheiro são-paulino, sou daqueles que, para variar, não concorda nem discorda de tudo o que se falou e ainda se fala. Realmente ele parece ter um ar superior, é verdade também que ele não ganhou nada de vital importância desde que assumiu os paus. Mas, não se esqueçam os exaltados que como goleiro ele é bom jogador de futebol.

O que quero dizer é que quando se pede a cabeça de alguém de suma importância numa equipe, deve-se analisar por menores quais serão as conseqüências disso para o grupo. Exemplo prático: o meu clube, o Atlético Paranaense, resolveu de uma hora para outra, sem maiores justificativas, dispensar o goleiro Flávio, campeão brasileiro pelo time em 2001. O homem era fera. Como todo goleiro, teve suas falhas. Puxando pela minha memória, no entanto, o que mais me lembro foram suas excelentes defesas, que culminaram no apelido “pantera negra”. Querendo talvez abafar a burrada, a diretoria trouxe o goleiro do Juventude, Diego, bola de prata no brasileiro de 2002. Sabem o que está acontecendo agora? A torcida está chiando. Diego ainda não atingiu sua melhor forma e até agora não exerceu nenhuma defesa que o marcasse como grande arqueiro. E, por outro lado, Flávio foi contratado pelo rival Paraná Clube e está como sempre: seguro e eficiente, ajudando o limitado time paranista a figurar entre os líderes do campeonato.

Por estas e por outras, muita calma com os números um. Respostas para perguntas como “se a cabeça do Ceni rolar, o reserva será a altura?”, “Tem outros nomes em vista?”, “Vale a pena somente dispensar ou há valor em negociá-lo?” terão que ser convincentes.

Não esqueçamos que o momento é tudo na negociação de jogadores em se tratando de futebol. Fábio Costa por exemplo. O goleiro santista saiu do inferno ao paraíso em pouco mais de 45 minutos. De 200 mil para 2 milhões. Para quem não viu, Costa falhou no segundo gol da equipe uruguaia e se abalou. Ficou cabisbaixo, jogando uma ducha de água fria na Vila lotada. Num raro momento de lucidez vindo das arquibancadas, os torcedores não entraram no clima e se esforçaram o máximo para elevar a moral do arqueiro, prevendo a necessidade de ter um goleiro estável para o que viria. Gol de placa. Fábio Costa renovado se tornou o nome da partida ao defender três pênais e garantir a classificação do Peixe.

Logo, conclui-se que ser qualquer goleiro não é fácil. Mas ser goleiro e ter a sua própria torcida contra é muito pior. Imagine aqueles que nem sabem bater faltas…

[]´s

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07/05/2003 - 11:04

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Pontos corridos

por Carlos Sperandio Junior

Campeonato de pontos corridos no Brasil? Esta pergunta já gerou zilhões de comentários prós e contras e ainda não encerrou a discussão sobre o assunto mesmo após a fórmula estar sendo empregada. Coisas de futebol. Coisas de Brasil. Aliás, coisas do futebol brasileiro, latu e extremamente strictu senso.

Sou daqueles que apóiam a ousadia da inovação. Obviamente, é mais difícil ver adjetivos que simplesmente comentar a desordem daquele que já é considerado o melhor e mais caótico futebol do mundo.

Talvez as únicas vantagens sejam, enfim, premiar a regularidade e presentear as torcidas com os confrontos de todos contra todos em todas as praças. Isso por si só já está de excelente tamanho.

Finalmente, chega de acompanhar o Furacão contra o Vasco somente no radinho direto do quintal do Eurico. E, finalmente, chega também de agüentar choradeira de são-paulino no final do campeonato, reclamando a taça de campeão moral (de leve, Maurice).

Só não vale chegar no final e largar umas como “sabia que ia dar errado”. Para quem já viveu Copa João Havelange, Brasileirão turno-returno é camarote-vip. E dá-lhe cerveja.

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05/05/2003 - 12:14

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Pra quem me perguntou do texto que detona o Rogério Ceni, está aqui. http://blogdebola.blig.ig.com.br/200304.html

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03/05/2003 - 20:10

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Um gênio, um quase e três craques

por Mauricio Teixeira

Minha geração não viu nem Rivelino jogador direito. Quanto menos Pelé. Meus contemporâneos (os honestos) precisam concordar que Maradona foi o maior jogador de futebol que já viram jogar. Eu acredito piamente. Depois dele, foram poucos os que pudemos chamar de gênios (por gênio entenda-se um ou dois pontos abaixo de Maradona na escala Maurício). Romário e Zico, pra citar os brasileiros, seguramente estão entre eles.

Pois dentro da minha própria classificação, posso dizer que o Real Madrid atual tem 1 gênio, 1 quase e 3 craques. Roberto Carlos, Figo e Raúl são meus craques. Eu adoraria ter um dos três no meu time. Qualquer um deles já seria uma glória. Os três juntos é algo inimaginável.

Mas 3 craques não foi o suficiente para o Real. E o time foi buscar mais. Um cara que passeia entre a genialidade de Zico e a craquice (inventei agora) de Van Basten ou Sócrates. Ronaldo é esse fenômeno. Não posso ainda chamá-lo de gênio como chamo Romário. Mas tenho certeza que ele ainda chega lá. E torço muito para isso. Mais uma Copa do Mundo, quem sabe o título da Copa dos Campeões, uma liga e até um show nas Eliminatórias já possa confirmar o novo grau.

Enquanto não chega o dia, porém, vendo o Zidane matar uma bola, não tem como negar o óbvio. O cara é um gênio. Digo mais. É o único gênio vivo e em condições de jogo (larga o osso, Romário). Ele destoa do resto. Navega com a mesma naturalidade em diversas jogadas diferentes. Alterna dribles desconcertantes de Robinho. Lançamentos milimétricos de Beckham. Chutes de Rivaldo. Piques de Ronaldo. Mudanças de direção na corrida como Ronaldinho Gaúcho. Sempre de cabeça erguida como Falcão. Enfia bolas como Riquelme. E ainda aparece tanto para jogar como Ortega, Ricardinho, Valderrama e Ballack. Juntos! Pensar que esse cara ainda tem disciplina tática e marca tão bem como Dunga beira ao sobre-humano.

É até reconfortante, cinco anos depois, admitir que perdemos a Copa para um jogador que desde então só vem melhorando e que está num nível de maturação que eu jamais podia imaginar. Eu assisto incessantemente aos jogos do Real. Para ver Ronaldo na maioria das vezes. Mas, invariavelmente, o toque de classe é de Zidane.

Na falta de Pelé e na saudade de Maradona. Na decadência de Romário e na aposentadoria de Zico. Na expectativa por Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Zidane é consolo para quem sempre gostou de ver grandes gênios em campo.

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