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27/05/2003 - 19:29

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Dossiê futebol brasileiro

por Carlos Sperandio Jr

Sempre quis ler algo que fosse realmente esclarecedor sobre o futebol nacional. Linhas densas que refletissem nas palavras o que se passa dentro, fora e em volta dos gramados. Um verdadeiro dossiê. Mas quem em sã consciência e com nível de conhecimento razoável sobre o assunto teria a coragem de escrever algo assim? Até agora ninguém. Para estimular uma atitude de alguém competente para tal, inicio eu um projeto ambicioso e inédito, com letras mal grafadas de idéias mal fadadas sobre algo maior, mais forte e mais apaixonante do que qualquer outra coisa no Brasil: o nosso futebol.

Vou tentar dividir o dossiê em 6 partes. A filosofia do jogo, Os jogadores, Os dirigentes, Os torcedores, Os cronistas e, não menos importante, As bruxas.

Parte 1 – A filosofia do jogo

Confesso que não fui um adolescente precoce. Na Copa do Mundo do México, em 1986, estava para completar 10 aninhos. Minha memória pouco se lembra das aparições do selecionado nacional na terra do tri. Quatro anos antes, na Espanha, só me lembro da choradeira e a partir daí existe aquela estranha mistura entre o que se viu, o que se leu, o que se ouviu e o que se sonhou sobre um assunto.

A partir da Itália, 1990, tudo mudou. Apesar de meu pai não ter me levado ao campo e me forçar a torcer para o mesmo time que ele, isso acabou acontecendo por livre vontade. Viver o Atlético Paranaense era viver futebol. E foi justamente na Copa da Bota que pude acompanhar futebol de uma forma mais dinâmica, compreendendo táticas, diferenciando craques e entendendo. Ainda mais quando não se tinha internet e as únicas leituras disponíveis para um espinhento atleticano de 15 anos eram os jornais Gazeta do Povo e Tribuna do Paraná, ambos de Curitiba.

Foi assim, lendo de Carneiro Neto a Armando Nogueira, que comecei a ver que futebol não se resumia a onze de cada lado. Percebi que existia tática, técnica e raça. Dei-me conta do money talks. E, sobretudo, compreendi a humanidade. Sim, senhores. Sem demagogia. Nada como colocar um ser humano sobre ação de várias intempéries emocionais para conhecer sua essência. E é aí que nasce a filosofia do jogo de futebol. Saber que todo homem, não importando seu papel, dirigente, jogador, craque, seja quem for, sempre será apenas e tão somente e nada mais do que um homem.

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