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20/05/2003 - 18:37

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Queimando todos

Por Mauricio Teixeira

Meu amigo Fábio Bittencourt fez um oportuno comentário neste blog. Disse que temos mania de ver craques demais para futebol de menos. Ele até sentenciou que Robinho, Gil e Kaká são muito mais ilusão do que futebol. Só poupou Diego.

Se Diego é melhor que Robinho, ou Kaká é melhor que Gil, tanto faz. É questão de opinião pessoal e cada um tem a sua. Relevante mesmo é falar dessa nossa mania de criar gênios. Só porque um dia um virtuose de 17 anos vestiu a camisa 10 da seleção e ganhou uma Copa do Mundo, temos essa maldita tendência de achar que tudo quanto é jovem talentoso, que marcou um ou dois gols bonitos, vai vestir a camisa amarela e virar Pelé!

Neste quesito, gosto sempre de citar o exemplo argentino. Lá, não como cá, tem critério para lançar um jogador. Na última Copa do Mundo, por exemplo, enquanto o clamor popular pedia Riquelme, Saviola e D’Alessandro na seleção, Bielsa bateu o pé e numa teimosia quase felipônica não convocou nenhum deles. Irritou ainda mais os críticos chamando o vovô Caniggia. E daí, diriam vocês? O time não foi um fiasco?

Para isso tenho uma resposta na ponta dos dedos (ou nem teria citado o exemplo). Sim, mas desta forma eles criam jogadores mais fortes. Sem tanta responsabilidade nos ombros, poupam seus promissores talentos (D’Alessandro) e esfriam os que eram fogo de palha (Riquelme). Mesmo entre os convocados, por mais que o jovem Pablo Aimar estivesse em grande fase, o técnico insistia com Simeone e Ortega no comando. Já pensou perder com os jovens? Seria a sentença de morte de uma geração!

O caso mais clássico foi o da Copa de 1978. Todo mundo se lembra que a Argentina levou o caneco. Mas só quem é do ramo lembra que ouve uma comoção geral na Argentina para que um garoto chamado Diego Maradona, de 17 anos, fosse convocado. César Luis Menotti não o chamou por ser ‘jovem demais’. Com isso, primeiro a Argentina ganhou a Copa e, na seqüência, um jogador genial que encantou o mundo por mais de uma década.

No Brasil, precisamos poupar nossos craques. Acho que Kaká e Diego, especificamente, precisam ser mais bem trabalhados. O são-paulino já tem a participação num grupo de Copa do Mundo e teoricamente tem tudo para alcançar a maturidade no próximo mundial. Diego ainda tem um caminho mais longo. Mas nenhum deles deveria ser exposto em demasia nos jogos das Eliminatórias que vêm por aí. Eles não são salvadores da pátria ainda. São garotos para, se muito, fazer parte do grupo. É a hora dos Ronaldos, do Roberto Carlos, do Gilberto Silva, do Lúcio e de outros assumirem a responsabilidade das vitórias e derrotas. O resto é queimar jogador. Uma especialidade tupiniquim.

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