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14/05/2003 - 11:16

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De médico e louco todo mundo tem um pouco

por Carlos Sperandio Jr

A Copa do Mundo do ano passado gerou as maiores piadas médicas que eu já ouvi. Lógico, casa de ferreiro, espeto de pau. O que eu escreverei sobre os pobres comentaristas que proferiram asneiras sobre medicina poderá ser o revés do meu próprio hobby, pois afinal não sou nenhum Tostão dos comentários e posso escrever tão errado quanto meu amigo jornalista Maurice pode tratar uma diabetes descompensada.

Mas vamos ao angu. Na época da Copa do Oriente estava morando com a minha avó no norte de Santa Catarina, trabalhando no interior para começar a carreira. Uma das minhas poucas diversões era acompanhar todos os debates sobre a Copa, pois como os jogos se realizaram na sua maioria no horário de trabalho, só me sobrava ver e ouvir os melhores momentos na hora do almoço e nos jornais da madrugada.

E, convenhamos, assistir ao Kfouri, Kajuru e China num mesmo programa era imperdível. Foi numa dessas que logo do início da competição, os dois últimos começaram a massacrar o Felipão numa sova de idiotices tamanha que, mesmo no comentário da vitória sobre a Alemanha, plena final vencida de Copa, os caras desenterraram a pérola que deu origem a essa coluna.

Com o propósito de justificar algo para o grande público afim de se auto-preservar, tentaram os comentaristas denegrir nossa vitória com a terrível acusação de que Rivaldo vinha jogando “dopado” com “infiltrações de voltaren” em ambos os joelhos.

Deixa eu explicar algumas coisinhas para esses geradores de polêmica. Primeiro e mais importante: voltaren não dopa ninguém. Voltaren é o nome comercial do Diclofenaco Sódico 75 mg, solução injetável, produzido pelo laboratório Novartis. Trata-se de um medicamento anti-inflamatório, que serve para combater a dor e a inflamação. Sua mais temida, porém rara complicação é a hemorragia do estômago que pode levar ao coma por perda de sangue, mas nunca dopar alguém. Além disso, não se “infiltra” voltarenÒ em articulação. Injeta-se intra-muscular profundo em região das nádegas.

Portanto, seria como se um de nós, pobres guerreiros da noitada, tomasse um Engov antes da balada, afim de evitar passar mal com as conseqüências do jogo, catar a melhor da noite e na manhã seguinte ver sua foto publicada na 1ª página do jornal dizendo que o Engov foi doping, ou pior, que você agenciava a mina. É mole?

[]´s

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