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Arquivo de maio, 2003

30/05/2003 - 19:35

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Washington: o jogador cardíaco

por Carlos Sperandio Jr.

Chocou-me a notícia do atacante Washington (ex-Paraná Clube, ex-Ponte Preta, talvez Atlético-PR) encontrar-se com seu coração baqueado. Não pensem os senhores que ele simplesmente se apaixonou e levou o fora e, no melhor estilo Acelino “Popó” de Freitas, ficou arrasado e decaiu em rendimento no esporte. O buraco foi mais embaixo. No caso dele, inclusive, pode-se dizer que a artéria obstruída foi mais embaixo. O homem tem sérios problemas nas coronárias.

Curioso por se tratar de um homem jovem. Atleta. Bom atleta. Sinto em não poder comentar por desconhecimento de causa se ele é tabagista. Pelo menos justificaria algo e afastaria de nós, pobres semi-sedentários, o medo justificável de sermos os próximos. Mas acredito que não. A doença aqui só pode ser hereditária.

Seja o que for, medicamente falando, ele já foi tratado. Agora, infelizmente para sua carreira, ele encontra-se de molho por ordens médicas por 3 a 6 meses. Não por incapacidade física, mas sim por ter tido seu risco de ter novo episódio de isquemia cardíaca aumentado de 2 para 3%.

O que pode parecer pouco tem muito significado quando projetado em responsabilidade. Quem iria arcar com um problema mais grave durante uma partida? Por isso o Furacão não o contratou. Mas, visando preservar a carreira até aqui satisfatória do atacante, o Atlético teve o discernimento de mantê-lo sob sua tutela enquanto ocorre sua recuperação.

O interessante é pensar que se não houvesse os recursos diagnósticos na medicina de hoje, talvez Washington tivesse se tornado uma lenda, daqueles que morrem pelo seu time, literalmente. Ou será que nos anos 60 um atleta profissional teria coragem de revelar uma queimação no peito, arriscando se sujeitar a todo tipo de deboche, sendo tachado de frutinha?

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29/05/2003 - 13:23

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Antibrasileiros maledetti!

por Maurício Teixeira

Dos males, o menor! Eu gostei que o Milan ganhou a final da Champions. Dos grandes da Europa, aliás, a Juventus está entre os mais antipáticos para mim. Eles, o Manchester United e o Ajax. O motivo não é nada nobre, devo confessar. Patriotada forte.

O pessoal do excelente ‘Loucos por Futebol’ da Espn Brasil pode me corrigir. Mas, de cabeça, desde que me entendo por gente, o único brasileiro com moral na Juventus foi o zagueirão Julio César. Para o resto (entre eles Athirson e César) foi uma espécie de frigideira, ‘meio mussarela, meio calabresa’. Ajax e Manchester, creio, nem isso!

Milan, Inter, Roma, Barcelona, Real Madrid, La Corunha, Arsenal, Bayern de Munique, PSV, PSG. Todos se renderam aos encantos do futebol brasileiro. Em menor ou maior escala. No passado ou no presente! Mas, enfim, investiram. Insistiram. E todos, sem exceção, tiveram suas recompensas. Títulos importantes, artilheiros e craques que gravaram o nome na história.

Tudo bem que tanto Manchester, quanto Juventus e Ajax nunca precisaram de nós para nada. Os três foram as grandes potencias mundiais em épocas diferentes e recentes e por seus gramados passaram alguns gênios como Zidane, Platini, Cruyff e craques do quilate de Beckham e Del Piero. Mas em todos estes esquadrões, pelo menos para mim, não vi o toque magistral do Napoli de Careca, do Barcelona de Romário, da Roma de Falcão.

O Manchester, cada vez mais sem graça, tem a oportunidade de ouro de mudar esta história. Todas as línguas apontam para uma contratação de Ronaldinho Gaúcho. É o que dizem. Tomara…

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27/05/2003 - 19:29

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Dossiê futebol brasileiro

por Carlos Sperandio Jr

Sempre quis ler algo que fosse realmente esclarecedor sobre o futebol nacional. Linhas densas que refletissem nas palavras o que se passa dentro, fora e em volta dos gramados. Um verdadeiro dossiê. Mas quem em sã consciência e com nível de conhecimento razoável sobre o assunto teria a coragem de escrever algo assim? Até agora ninguém. Para estimular uma atitude de alguém competente para tal, inicio eu um projeto ambicioso e inédito, com letras mal grafadas de idéias mal fadadas sobre algo maior, mais forte e mais apaixonante do que qualquer outra coisa no Brasil: o nosso futebol.

Vou tentar dividir o dossiê em 6 partes. A filosofia do jogo, Os jogadores, Os dirigentes, Os torcedores, Os cronistas e, não menos importante, As bruxas.

Parte 1 – A filosofia do jogo

Confesso que não fui um adolescente precoce. Na Copa do Mundo do México, em 1986, estava para completar 10 aninhos. Minha memória pouco se lembra das aparições do selecionado nacional na terra do tri. Quatro anos antes, na Espanha, só me lembro da choradeira e a partir daí existe aquela estranha mistura entre o que se viu, o que se leu, o que se ouviu e o que se sonhou sobre um assunto.

A partir da Itália, 1990, tudo mudou. Apesar de meu pai não ter me levado ao campo e me forçar a torcer para o mesmo time que ele, isso acabou acontecendo por livre vontade. Viver o Atlético Paranaense era viver futebol. E foi justamente na Copa da Bota que pude acompanhar futebol de uma forma mais dinâmica, compreendendo táticas, diferenciando craques e entendendo. Ainda mais quando não se tinha internet e as únicas leituras disponíveis para um espinhento atleticano de 15 anos eram os jornais Gazeta do Povo e Tribuna do Paraná, ambos de Curitiba.

Foi assim, lendo de Carneiro Neto a Armando Nogueira, que comecei a ver que futebol não se resumia a onze de cada lado. Percebi que existia tática, técnica e raça. Dei-me conta do money talks. E, sobretudo, compreendi a humanidade. Sim, senhores. Sem demagogia. Nada como colocar um ser humano sobre ação de várias intempéries emocionais para conhecer sua essência. E é aí que nasce a filosofia do jogo de futebol. Saber que todo homem, não importando seu papel, dirigente, jogador, craque, seja quem for, sempre será apenas e tão somente e nada mais do que um homem.

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26/05/2003 - 20:03

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Devo, não nego!

por Maurício Teixeira

Uma das coisas mais apaixonantes do futebol é apostar. Não dinheiro. Mas apostar pela teimosia. Apostar para valer suas opiniões sobre futebol. Eu já perdi a conta de quantos chicletes, figurinhas, coxinhas no intervalo, jantares, baladas e cervejas já tive que pagar e receber.

Atualmente tenho apenas uma aposta em curso (aceito outras se alguém se habilitar). Com meu amigo colorado Leoberto fiz a seguinte aposta valendo um jantar numa churrascaria: quem será o campeão brasileiro? Pelas regras, ele escolheu 3 times e eu outros três.

Paixões à parte, eu vou comer à vontade caso Santos, Corinthians ou Flamengo sejam campeões. Já o esperto amigo advogado (dos bons) escolheu Cruzeiro, São Paulo e Internacional.

Reconheço minha desvantagem (e ainda não sei se o Flamengo foi uma boa)! Mas confio no longo campeonato para virar o jogo. O final de semana não foi de todo ruim já que Corinthians e Santos venceram do meu lado e apenas o São Paulo conseguiu do lado dele.

Se todo mundo perder, vamos doar o valor para caridade e chorar as mágoas por saber tão pouco de futebol. Minha opinião, no entanto, é que dificilmente o título foge de um dos seis. E vc, o que acha? Quer apostar?

***

Por falar em apostas, tenho uma dívida ainda não paga. Para o meu colega de blog, Carlos Junior, eu devo uma mísera caixa de cerveja em função do título do Atlético-PR em 2001 no Brasileirão. Uma dívida de mais de um ano. Vergonhoso.

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23/05/2003 - 20:03

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Catenaccio e a final da Champions

por Thays Barca*, de Madri

Falta menos de uma semana para a final da Champions League e aqui na Espanha a dor de cotovelo continua. Para os espanhóis a decisão entre Juve e Milán, os dois maiores representantes do catenaccio, é algo totalmente surreal.

A eliminação das equipes espanholas mexeu com o orgulho nacional. A bronca começou quando o Valencia e o Barcelona foram despachados pela Inter e pela Juventus nas quartas de finais. E só ganhou estatus de guerra depois que os galáticos do Real Madrid levaram os três gols no Delle Alpi. A imprensa local foi unânime e dedicou muito mais espaço para xingar os italianos que para analisar o fiasco de seu futebol.

Tá certo que os espanhóis estão meio mordidos porque suas equipes dançaram na Champions, mas uma coisa é certa: não é de hoje que povo detona tudo que envolva o futebol italiano.

Prova disso é que uma das melhores crônicas sobre o catenaccio, uma espécie de ode ao futebol de resultado às avessas, foi publicada pelo El Pais durante a Eurocopa de 2000. Era a semifinal entre a Holanda e a Itália e depois de 120 minutos de tortura a Itália ganhou o jogo nos pênaltis. O texto foi escrito por Santiago Segurola, jornalista espanhol e nesse caso, difícil de ser acusado de parcial. Leia a tradução a seguir:

Para a os italianos, o catenaccio é uma estratégia cuasi geniale. Entretanto, para os admiradores do futebol, dita estratégia consiste basicamente em matar as pessoas de tédio e devastar o jogo com tanta gana que seria de bom grado chamar alguns inspetores do Green Peace ou de qualquer outro grupo atento aos delitos ecológicos.

O curioso no catenaccio é que sua base ideológica é justamente a perversão da moral futebolística, de forma que os adversários sentem-se culpados por, mesmo jogando bem, não conseguir perfurar a defesa italiana. Como a Holanda fez até onde pôde.

Antes de ganhar nos pênaltis os italianos já haviam vencido. Tinham conseguido um 0 a 0. O único resultado pelo qual lutaram durante os 120 minutos de jogo. Entre um time que havia alcançado seu nefasto objetivo e outro que se sentia rejeitado pela misteriosa alma do futebol, não era possível outro resultado que a vitória italiana.

A Itália não chutou a gol durante todo o primeiro tempo. Nem teve a intenção de chutar. Nem com onze jogares, nem com 10. Depois da expulsão de Zambrotta tinham a desculpa perfeita para continuar sua obra cattenacista. A jogada inicial resumia bem quais eram suas intenções. Dão a saída de jogo e logo em seguida Di Biaggio dá um bicudo e manda a bola para lateral. Semelhante grosseria só poderia significar a volta dos italianos à caverna, ao futebol que tanto mal fez ao esporte durante o fim da década de 60 e durante os anos 70.

Os italianos têm sorte de não encontrar muitos adversários que preguem o mesmo princípio causi geniale de jogo. Para que exista o catenaccio é necessário outra equipe que se negue a aceitá-lo. O mais mesquinho do ponto de vista italiano não é sua renúncia à criatividade, ao jogo de ataque, à gloriosa possibilidade de uma derrota por uma tentativa poética. O pior é o seu descaro em atuar como um parasita e aproveitar-se de tudo o que o futebol tem de nobre e que se negam a aplicar.

A Holanda da Eurocopa não é a mesma que deslumbrou o mundo nos anos 70, mas mantém muitos de seus velhos princípios e permite pensar no futebol como um universo feliz. Do outro lado está a Itália, com sua cínica ordem repressiva. A Holanda jogou razoavelmente bem e em alguns momentos, muito bem. Teve paciência e não lhe faltaram oportunidades. Dois pênaltis, uma bola na trave, chegadas constantes à área. Jogou sempre com critério, talvez no limite necessário para derrubar a uma azurra, que graças ao resultado, só terá um objetivo daqui para frente: mergulhar ainda mais fundo em seu principio cuasi geniale.
E o futebol que se dane.

* Thays Barca é jornalista e vive a angústia de morar em Madri e torcer loucamente pelo Barcelona

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21/05/2003 - 18:36

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Política x Futebol

Por Carlos Sperandio Jr. e Maurício Teixeira

No Brasil não é novidade termos política e futebol figurando nas mesmas frases. Algumas vezes são sinérgicos. Outras, antagonistas. No entanto, quase sempre estão metidas em encrenca.

E não deu outra. Bastou o tal do “Estatuto do Torcedor” ter sido aprovados pelos políticos que o futebol ameaçou parar. Por quê?

O Brasil é imenso e cheio de interesses conflitantes. Não bastasse, nosso povo não é acostumado a agir com sobriedade e antecipação. Saldo: a tal da lei pegou todos nossos dirigentes vestidos como jogadores, de calças muito curtas. Será? Duro de engolir já que o tal estatuto vem sendo discutido desde os tempos de Fernando Henrique. Difícil digestão ouvir que dos clubes que não podem prosseguir o torneio por causa de uma ou duas ambulâncias a mais no estádio.

E agora? Agora, a Inês ainda não é morta, mas parece que já derramaram o leite. No mínimo, azedou a nossa vontade de seguir acompanhando um campeonato que parecia tão legal. Parar o campeonato é como querer tapar o eclipse lunar com uma peneira. Obviamente que uma mísera semana não vai esticar prazo de ninguém para a adequação. Mas é difícil tentar convencer alguém que manda disso.

E, o pior, é que se os nossos dirigentes tivessem lido o tal do Estatuto, teriam descoberto que lá já há pena prevista para esse tipo de atitude.

E nós, pobres torcedores??? Para variar, resta torcer. Não mais por um time, mas sim pelo bom senso.

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20/05/2003 - 18:37

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Queimando todos

Por Mauricio Teixeira

Meu amigo Fábio Bittencourt fez um oportuno comentário neste blog. Disse que temos mania de ver craques demais para futebol de menos. Ele até sentenciou que Robinho, Gil e Kaká são muito mais ilusão do que futebol. Só poupou Diego.

Se Diego é melhor que Robinho, ou Kaká é melhor que Gil, tanto faz. É questão de opinião pessoal e cada um tem a sua. Relevante mesmo é falar dessa nossa mania de criar gênios. Só porque um dia um virtuose de 17 anos vestiu a camisa 10 da seleção e ganhou uma Copa do Mundo, temos essa maldita tendência de achar que tudo quanto é jovem talentoso, que marcou um ou dois gols bonitos, vai vestir a camisa amarela e virar Pelé!

Neste quesito, gosto sempre de citar o exemplo argentino. Lá, não como cá, tem critério para lançar um jogador. Na última Copa do Mundo, por exemplo, enquanto o clamor popular pedia Riquelme, Saviola e D’Alessandro na seleção, Bielsa bateu o pé e numa teimosia quase felipônica não convocou nenhum deles. Irritou ainda mais os críticos chamando o vovô Caniggia. E daí, diriam vocês? O time não foi um fiasco?

Para isso tenho uma resposta na ponta dos dedos (ou nem teria citado o exemplo). Sim, mas desta forma eles criam jogadores mais fortes. Sem tanta responsabilidade nos ombros, poupam seus promissores talentos (D’Alessandro) e esfriam os que eram fogo de palha (Riquelme). Mesmo entre os convocados, por mais que o jovem Pablo Aimar estivesse em grande fase, o técnico insistia com Simeone e Ortega no comando. Já pensou perder com os jovens? Seria a sentença de morte de uma geração!

O caso mais clássico foi o da Copa de 1978. Todo mundo se lembra que a Argentina levou o caneco. Mas só quem é do ramo lembra que ouve uma comoção geral na Argentina para que um garoto chamado Diego Maradona, de 17 anos, fosse convocado. César Luis Menotti não o chamou por ser ‘jovem demais’. Com isso, primeiro a Argentina ganhou a Copa e, na seqüência, um jogador genial que encantou o mundo por mais de uma década.

No Brasil, precisamos poupar nossos craques. Acho que Kaká e Diego, especificamente, precisam ser mais bem trabalhados. O são-paulino já tem a participação num grupo de Copa do Mundo e teoricamente tem tudo para alcançar a maturidade no próximo mundial. Diego ainda tem um caminho mais longo. Mas nenhum deles deveria ser exposto em demasia nos jogos das Eliminatórias que vêm por aí. Eles não são salvadores da pátria ainda. São garotos para, se muito, fazer parte do grupo. É a hora dos Ronaldos, do Roberto Carlos, do Gilberto Silva, do Lúcio e de outros assumirem a responsabilidade das vitórias e derrotas. O resto é queimar jogador. Uma especialidade tupiniquim.

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16/05/2003 - 20:04

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Pra não dizer que não falei das… pipocas

por Mauricio Teixeira

O Paysandu só caiu na real. Pior é o São Paulo! Quando é que vai cair? Nunca. Goiás? Barbada! Paraná domingo? Melzinho na chupeta! Acho que o São Paulo só vai ser humilde no dia que enfrentar o Real Madrid. Será?

Provavelmente o Paraná vai tomar mais uma daquelas goleadas no Morumbi. E, assim, prolongar o sofrimento dos são-paulinos. Esconder nossas feridas mais profundas com band-aid. Maquiar nosso erro conceitual. O sofrimento do time que é uma farsa. Dos sócios, que são a vitrine do pedantismo. E da torcida que adora ser enganada!

Mas nem Duda Mendonça salva quando o produto é ruim. O São Paulo é um produto sem gosto. Falido. Ultrapassado. Até o rótulo, que era bacaninha, anda feio. E não engana mais ninguém!

Confesso que ainda compro esse produto. Mas deve ser uma daquelas manias de gente que não consegue mais mudar depois de certa idade. Gostaria mesmo é que ele ganhasse nova cara, novos rumos e, principalmente, resgatasse aquele velho sabor.

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15/05/2003 - 00:55

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Colunista constrangido: D`Alessandro 10 x 0 Futebol Brasileiro

por Mauricio Teixeira

Não sou desses que acha que quando um time brasileiro joga uma partida internacional, todos precisam torcer a favor. Pelo contrário. Acho que coxa-branca, bugrino, botafoguense e colorado que se preza não torce por Furacão, Ponte, Mengo e Grêmio nem a poder de pancada.

Mas nesta quarta-feira, depois da eliminação corintiana da Copa Libertadores, achei pela primeira vez nos últimos anos que o Brasil foi derrotado. Como engolir que um jogador praticamente adolescente, com a tarja de capitão de um dos times do decadente futebol da decadente vizinha Argentina possa ser tão superior a toda uma equipe brasileira. A toda uma equipe que sem dúvida está entre os 4 melhores times do Brasil. O futebol brasileiro apanhou na bola, na malandragem (???), na torcida, no peso da camisa e, se tivesse preliminar mirim, era capaz de apanhar também.

Não tenho palavras bem definidas para tentar explicar a derrocada tupiniquim. É meio constrangedor. Não gosto de chamar ninguém de burro. Nem vou. Não é bem burro, pra dizer a verdade. É outra palavra que talvez nem exista e hoje eu to meio sem vontade de inventar uma.

Mas o fato é que minha saudosa avó Vivinha, vascaína que tanto acompanhava futebol, sempre dizia: “esses argentinos são bons de catimba.” Se a minha avó sabia, é duro engolir que o Geninho não tenha preparado o time para isso. Mesmo que tenha. É, como disse anteriormente, constrangedor imaginar que jogadores como Liedson, Jorge Wagner, Leandro, Anderson, Fabio Luciano, Fabinho, Kleber e até o pobre do Roger sejam tão inocentes diante de um projeto de craque argentino como o D`Alessandro. O cara acabou com o jogo. Ou melhor. Com a disputa. Em 180 minutos, fez 1 gol, expulsou dois laterais e comandou cada toque de bola de seu time. Fora o baile.

Constrangedor pensar que o único reconhecido craque corintiano, Gil, tenha sido marcado incansavelmente durante toda a partida. Uma vez ouvi um técnico brasileiro dizer que marcação especial, só para Pelé. Será que o Geninho aprendeu na mesma cartilha? Prefiro acreditar que não ao lembrar da dolorosa (para são-paulinos) e vitoriosa marcação de Cocito em Kaká no Brasileirão 2001. Mas, então, como explicar o D`Alessandro, sempre livre, em tudo quanto é lado e com a bola no pé. Será cacoete de time grande?

***

Sei lá. Prefiro terminar logo essa coluna. Antes, pra descontrair, não tem como não comentar o comentário. Quem viu o jogo na Globo ainda teve que aturar a atuação pífia de outro brasileiro. José Roberto Wright, falando que o impecável árbitro colombiano estava péssimo, completou a chanchada brasileira. Foi o constrangimento que faltava!

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14/05/2003 - 11:16

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De médico e louco todo mundo tem um pouco

por Carlos Sperandio Jr

A Copa do Mundo do ano passado gerou as maiores piadas médicas que eu já ouvi. Lógico, casa de ferreiro, espeto de pau. O que eu escreverei sobre os pobres comentaristas que proferiram asneiras sobre medicina poderá ser o revés do meu próprio hobby, pois afinal não sou nenhum Tostão dos comentários e posso escrever tão errado quanto meu amigo jornalista Maurice pode tratar uma diabetes descompensada.

Mas vamos ao angu. Na época da Copa do Oriente estava morando com a minha avó no norte de Santa Catarina, trabalhando no interior para começar a carreira. Uma das minhas poucas diversões era acompanhar todos os debates sobre a Copa, pois como os jogos se realizaram na sua maioria no horário de trabalho, só me sobrava ver e ouvir os melhores momentos na hora do almoço e nos jornais da madrugada.

E, convenhamos, assistir ao Kfouri, Kajuru e China num mesmo programa era imperdível. Foi numa dessas que logo do início da competição, os dois últimos começaram a massacrar o Felipão numa sova de idiotices tamanha que, mesmo no comentário da vitória sobre a Alemanha, plena final vencida de Copa, os caras desenterraram a pérola que deu origem a essa coluna.

Com o propósito de justificar algo para o grande público afim de se auto-preservar, tentaram os comentaristas denegrir nossa vitória com a terrível acusação de que Rivaldo vinha jogando “dopado” com “infiltrações de voltaren” em ambos os joelhos.

Deixa eu explicar algumas coisinhas para esses geradores de polêmica. Primeiro e mais importante: voltaren não dopa ninguém. Voltaren é o nome comercial do Diclofenaco Sódico 75 mg, solução injetável, produzido pelo laboratório Novartis. Trata-se de um medicamento anti-inflamatório, que serve para combater a dor e a inflamação. Sua mais temida, porém rara complicação é a hemorragia do estômago que pode levar ao coma por perda de sangue, mas nunca dopar alguém. Além disso, não se “infiltra” voltarenÒ em articulação. Injeta-se intra-muscular profundo em região das nádegas.

Portanto, seria como se um de nós, pobres guerreiros da noitada, tomasse um Engov antes da balada, afim de evitar passar mal com as conseqüências do jogo, catar a melhor da noite e na manhã seguinte ver sua foto publicada na 1ª página do jornal dizendo que o Engov foi doping, ou pior, que você agenciava a mina. É mole?

[]´s

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